Com mais de 95% dos votos revisados, a apuração do segundo turno das eleições presidenciais do Peru já se vê maculada por contestações.

A vantagem minúscula da candidata Keiko Fujimori, da direita populista, foi posta à prova pelo adversário, Roberto Sánchez, que formalizou denúncias de manipulação de cédulas em Lima e nos EUA e solicitou a anulação desses votos —apesar de o postulante esquerdista ter afirmado, antes do pleito, que respeitaria o resultado das urnas.

Seja qual for o desfecho oficial, a superação do caos político vivenciado no Peru há uma década parece distante. A frágil maioria da futura ou do futuro presidente —e serão dez em dez anos— tende a ameaçar seu mandato.

O último presidente a cumprir os cinco anos no poder foi Ollanta Humala (2011-2016). Desde então, quatro acabaram destituídos pelo Congresso, munido de superpoderes pela Constituição de 1993, e outros três renunciaram.

José María Balcázar, empossado em fevereiro para o período de cinco meses, foi o terceiro a suceder Pedro Castillo, eleito em 2021 e ceifado no ano seguinte após tentar um golpe de Estado.