"Warum mit den Füßen?" Não falo alemão, mas meu querido cunhado, Pedro Bial, fala ou pelo menos lê —e foi ele quem me contou da chamada, na primeira página do jornal Frankfurt Allgemeine Zeitung, numa edição de julho de 2006, durante a Copa: "Por que com os pés?". A resposta, num ensaio muito erudito (como se espera de um diário germânico) era simples e bela: porque é mais difícil.

No livro "Veneno Remédio: o Futebol e o Brasil", José Miguel Wisnik, filósofo, poeta, "uspianista" e boleiro de mão (pé) cheia (o), também dá suas pedaladas diante da questão podal. Diz que por ser jogado pelos pobres habitantes do sul corporal, não pelos primos ricos do hemisfério Norte, como o vôlei ou o basquete, o futebol tem um ingrediente a mais de surpresa. Pisa sempre sobre o imponderável. Um mínimo descuido e é gol contra, é bunda na grama ou bola pra arquibancada. Nisso que dá meter, literalmente, os pés pelas mãos. (Já pode ter acontecido, mas nunca vi, no basquete, uma "cesta contra".)

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Antes do apito inicial, portanto, o jogador de futebol já está, senão fadado ao fracasso, pelo menos embicado em sua direção. O boleiro, "underdog" de si mesmo, joga não só contra dez adversários, mas contra 3 bilhões de anos de seleção natural. Taí parte da beleza do ludopédio, apontada pelo jornal alemão—e é exatamente essa beleza, acredito, que os americanos são incapazes de enxergar.