O Alexandre Staut, escritor e editor dos bons, um batalhador à frente da Folhas de Relva, não sabe, mas uma frase dele mudou minha rotina literária. Aconteceu faz uns cinco anos. Eu estava escrevendo Os Pêndulos e o Alexandre foi em casa para um papo e um café. Quem você está lendo, ele me questionou, e achei a frase incômoda, sequer entendi naquele momento, porque sempre me fixei mais ao objeto, livro, que à pessoa, autora. Esperava: o que você está lendo?

Desfilei alguns nomes que habitavam minha cabeceira naquele momento, figurões internacionais, premiados, vendedores de milhões. Eu, ali, um homem orgulhoso de minhas conquistas, protoescritor marrento.

Veio uma segunda pergunta, destruidora. Mas quem de nós você está lendo? Nós?, retruquei, embaraçado. O Alexandre não abriu mais a boca, curvou levemente as sobrancelhas, entendi tudo. Ele dizia sim, nós, escritores contemporâneos brasileiros, a geração da qual você quer fazer parte. Depois fechou os olhos e continuou falando para dentro: nós e especialmente as mulheres, sua lista só tem homens, não percebe? Aliás, você lê mulheres, protoescritor marrento?

Terminamos o café de forma civilizada, ainda servi um bolo de milho, molhadinho, um gosto amargo, o resto da sala em um deserto. Pensei em citar a criatividade de uma passagem do livro mais recente do Murakami para quebrar o gelo, preferi me calar, constrangido. Ficamos os dois segurando as xícaras e olhando o chão.