Republicanos e democratas estão questionando a proposta de maior orçamento militar da história, enquanto o governo se recusa a divulgar o custo da guerra com o Irã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Prédio do Capitólio em Washington — Foto: Al Drago/Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 19/06/2026 - 18:10 Orçamento Militar de Trump Enfrenta Oposição no Congresso dos EUA O orçamento militar proposto por Donald Trump enfrenta resistência no Congresso dos EUA, com questionamentos de republicanos e democratas sobre os custos da guerra com o Irã. Trump busca um orçamento de US$ 1,5 trilhão, mas enfrenta dificuldades para conseguir apoio, especialmente sem detalhar os gastos do conflito. A oposição democrata e a relutância de alguns republicanos complicam a aprovação de novos fundos militares. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Tanto republicanos quanto democratas no Congresso americano resistem aos apelos do presidente Donald Trump para elevar o orçamento do Pentágono ao seu nível mais alto na história moderna, sinalizando uma iminente batalha sobre gastos militares, enquanto o governo se recusa a detalhar o custo da guerra com o Irã. Mesmo enquanto Trump tenta encerrar o conflito, ele e seu governo pressionam os republicanos a contornar a oposição democrata e aprovar US$ 350 bilhões (R$ 1,8 trilhão) em gastos militares por meio de um projeto de lei orçamentária especial que não poderia ser obstruído por filibuster, uma tática de obstrução parlamentarutilizada no Senado americano. Isso cobriria apenas uma fração do orçamento militar de US$ 1,5 trilhão (R$ 7,7 trilhões) que ele solicitou para o próximo ano. Mas alguns republicanos se opuseram à ideia, afirmando abertamente que não acreditam que seu partido conseguirá reunir o apoio quase unânime necessário para aprovar a medida. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, reuniu-se em particular com senadores republicanos no Capitólio esta semana, em um esforço para consolidar o apoio a tal iniciativa. Ao mesmo tempo, a antipatia dos democratas em relação à guerra com o Irã levou muitos deles a se oporem ao projeto de lei anual de política de defesa que autoriza o vasto orçamento do Pentágono, o qual os senadores há muito tentam preservar como uma medida amplamente bipartidária. Na semana passada, todos os democratas, com exceção de quatro, na Comissão de Serviços Armados do Senado se opuseram à aprovação do projeto, resultando em uma votação desproporcional que antes seria impensável. O senador democrata Mark Kelly, do Arizona, membro da comissão, disse que se opôs ao projeto de lei porque o governo Trump não respondeu a perguntas cruciais sobre a guerra com o Irã, incluindo “se a missão faz sentido, se nos torna mais seguros e qual será o seu custo”. — Não podemos dar a eles outro cheque em branco — pontuou Kelly, um veterano de combate da Marinha. A relutância em aprovar a legislação orçamentária que Trump insiste em aprovar representa uma certa ruptura com o padrão habitual no Capitólio. O consenso bipartidário em torno do financiamento militar geralmente é rapidamente forjado pelos parlamentares linha-dura que dominam as comissões de segurança nacional do Congresso. Os líderes republicanos, buscando maneiras de fornecer rapidamente a Trump o financiamento militar solicitado, continuam a encontrar obstáculos. Há semanas, parlamentares republicanos de alto escalão pressionam o governo a enviar ao Congresso um pedido de financiamento suplementar para cobrir os custos da guerra no Irã — uma medida padrão quando as forças americanas estão envolvidas em uma operação militar, mas que a Casa Branca até agora se recusou a tomar. O Pentágono havia inicialmente solicitado US$ 200 bilhões (R$ 1 trilhão) em financiamento adicional para o conflito, embora rumores posteriores tenham apontado que a Casa Branca estaria considerando reduzir esse valor. Essa incerteza gerou preocupação entre os principais legisladores. — Fiquei surpresa que o governo ainda não tenha enviado um suplemento orçamentário — declarou a senadora Susan Collins, republicana do Maine e presidente da Comissão de Orçamento, a jornalistas no mês passado. Mas os republicanos, politicamente vulneráveis às vésperas das eleições legislativas, relutam em apoiar um projeto de lei de gastos militares dispendioso na reta final do que se espera ser um ciclo eleitoral brutal para o partido. E qualquer medida desse tipo precisaria de apoio bipartidário para avançar no Senado, onde são necessários 60 votos. Os democratas afirmam que aproveitarão qualquer oportunidade para repudiar a guerra com o Irã e não apoiarão o aumento dos gastos militares enquanto Trump trava uma guerra sem a aprovação do Congresso, se recusa a prestar contas dos custos do conflito e corta programas sociais. — Isso valida uma guerra na qual não deveríamos estar envolvidos — ressaltou o senador Peter Welch, democrata de Vermont. — Valida a duplicidade de Trump, que afirma que não nos envolverá em guerras e nos envolve em guerras, e está potencialmente planejando outra em Cuba. A oposição democrata é um dos motivos pelos quais o governo e alguns republicanos no Congresso começaram a considerar o uso de um processo orçamentário à prova de obstrução, conhecido como reconciliação, para aprovar novos fundos militares. Mesmo essa ideia, defendida por Trump, tem suas complicações. — É preciso algo que consiga 50 e 218 votos — salientou o senador John Thune, da Dakota do Sul, líder da maioria, a repórteres, referindo-se à maioria mínima necessária para aprovar tal legislação no Senado e na Câmara. — Não sei exatamente qual seria essa maioria neste momento. Alguns republicanos conservadores certamente insistiriam em incluir medidas controversas e sem relação com a legislação, o que poderia minar o apoio crucial de republicanos mais moderados no Senado. Além disso, os republicanos defensores de políticas de Defesa agressivas se opuseram à manobra, pois ela transferiria verbas destinadas a iniciativas que apoiam para um projeto de lei que seria aprovado pontualmente, em vez de consolidá-las nas dotações orçamentárias anuais de forma mais permanente. Dois senadores republicanos que controlam os níveis de financiamento do Pentágono — a senadora Collins e o senador republicano Mitch McConnell, do Kentucky, presidente da Comissão de Defesa do Comitê de Orçamento — afirmaram que prefeririam financiar as prioridades militares por meio do processo orçamentário normal. — É mais do que uma simples contradição — ressaltou McConnell em uma audiência recente. — É também uma receita para grandes rupturas, caso haja uma possível falha na conciliação entre os partidos. A escolha do governo de estruturar uma ambiciosa solicitação de US$ 1,5 trilhão dessa forma é mais uma oportunidade perdida. Após se reunir com Hegseth esta semana, Graham afirmou que usaria o processo de reconciliação para o financiamento da Defesa e também pressionaria por um projeto de lei de gastos suplementares para cobrir os custos da guerra. “Trabalharei com a liderança do Senado”, com os republicanos da comissão, “com o Departamento de Guerra e com a Casa Branca para ver se conseguimos agilizar esse processo o máximo possível”, escreveu Graham nas redes sociais. A mensagem de Hegseth aos senadores republicanos, segundo o senador John Cornyn, do Texas, que também se reuniu com ele no Capitólio esta semana, foi que o Pentágono estava “com falta de verbas para adquirir as armas, mísseis e outros equipamentos necessários para proteger a nação”. A principal legislação tributária aprovada pelos republicanos em 2025, utilizando o processo de reconciliação, forneceu ao Pentágono US$ 150 bilhões (R$ 772 bilhões) em novos recursos. Um alto funcionário do Pentágono testemunhou no mês passado que a guerra com o Irã havia custado cerca de US$ 29 bilhões (R$ 149 bilhões) até então. Essa estimativa, no entanto, não incluiu uma série de custos que os Estados Unidos terão que arcar em decorrência das hostilidades, incluindo o reparo de mais de uma dezena de bases militares americanas danificadas por ataques iranianos.
Orçamento militar de Trump enfrenta obstáculos no Congresso em meio a questionamentos sobre custos da guerra com o Irã
Republicanos e democratas estão questionando a proposta de maior orçamento militar da história, enquanto o governo se recusa a divulgar o custo da guerra com o Irã








