Secretário de Defesa, Pete Hegseth, quer que congressistas aprovem pacote bilionário antes do recesso de agosto; custo oficial da guera chega a US$ 37,5 bilhões 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, durante audiência no Senado — Foto: Alex WROBLEWSKI / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 21/07/2026 - 17:50 Pentágono Solicita US$ 67 Bi ao Congresso para Guerra Contra Irã O Pentágono enfrenta desafios financeiros com a retomada da guerra contra o Irã, solicitando ao Congresso dos EUA um pacote de US$ 67 bilhões para cobrir custos, já que a guerra drenou US$ 37,5 bilhões. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, busca aprovação urgente antes do recesso de agosto, enquanto críticas à transparência e ao impacto financeiro aumentam. O governo Trump pressiona por rapidez nas negociações, com ameaças de novas ações militares. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO No momento em que o cessar-fogo firmado entre Irã e EUA em abril está cada vez menor no espelho retrovisor, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, e o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Dan Caine, foram ao Congresso defender uma das mais impopulares guerras americanas da História recente e, especialmente, pedir mais dinheiro. No mês passado, a Casa Branca requisitou ao Legislativo a liberação de US$ 67 bilhões, de forma emergencial, para cobrir os custos do conflito, que segundo a imprensa americana drenou os recursos do Pentágono de forma surpreendente. Diante da Comissão de Apropriações do Senado, responsável por avançar com projetos de financiamento para o governo federal, Hegseth não apenas pediu a liberação do pacote bilionário, mas defendeu a aprovação do orçamento de Defesa do ano que vem, estimado em US$ 1,5 trilhão e que avança a passos lentos no Legislativo, sob críticas de democratas e parte dos republicanos. — Os membros desta comissão compreendem, melhor do que a maioria, que a dominância estratégica de longo prazo não pode ser financiada por meio de suplementações orçamentárias pontuais — acrescentou Hegseth. — US$ 1,5 trilhão é o que o presidente busca e o que precisamos para defender o país. Em junho, a Casa Branca pediu ao Congresso uma suplementação financeira para cobrir “custos operacionais incorridos pelo Departamento de Guerra durante a OFE (“Operação Fúria Épica”)”, incluindo despesas com pessoal até a reposição de estoques de munições. Curiosamente, o texto menciona a guerra como um fato já consumado e encerrado: vale lembrar que no momento em que foi escrito, o cessar-fogo estava em vigor e americanos e iranianos negociavam um acordo mais amplo. Manifestante faz ato contra a guerra no Irã durante audiência do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, no Senado — Foto: Anna Moneymaker/Getty Images/AFP Em seguida, o presidente da Câmara, Mike Johnson, apresentou na semana passada um pacote de quase US$ 100 bilhões, destinado aos custos da guerra e a promover as contestadas novas leis eleitorais defendidas pelo presidente Donald Trump. Apesar do empenho de Johnson, os democratas não demonstram qualquer interesse em avançar com o plano, e mesmo entre os republicanos não há sinal de coesão. — É muito dinheiro para gastar em um período de tempo muito curto, e não estou dizendo que eles não o fizeram, mas eles não deveriam esperar simplesmente que concordemos com tudo o que dizem. Ou seja, eles precisam apresentar seus argumentos — disse o deputado Brian Fitzpatrick, um dos republicanos mais críticos à guerra no Oriente Médio, à rede CNN. Para o governo Trump, a pressa dita o ritmo das negociações. No início de agosto, a Câmara e o Senado entram em recesso e voltam apenas em setembro, quando a campanha para as eleições de meio de mandato, em novembro, entra na reta final. Nas últimas semanas, houve dezenas de contatos entre representantes do Pentágono e os congressistas, pautadas pelos argumentos de urgência. — Para o pessoal da área de defesa, é uma questão de emergência que precisa ser resolvida — disse o deputado republicano Mike Simpson à rede CNN. — Os recursos vão acabar em meados de agosto. Nesta terça-feira, Hegseth afirmou que a guerra custou, até agora, US$ 37,5 bilhões, mas segundo o jornal Washington Post, é consenso que o valor real é bem superior — estimativas independentes apontam para mais de US$ 100 bilhões —, e a avaliação é de que seu impacto sobre o Pentágono é, no mínimo, surpreendente. Os militares apontam para os baixos estoques de itens importantes nos arsenais, como mísseis de cruzeiro, componentes de sistemas de defesa aérea e diversos tipos de munição. Para enfrentar a crise orçamentária, verbas estão sendo realocadas internamente, afetando programas de treinamento e até a compra de determinados armamentos. Recentemente, diz o jornal, os militares pediram autorização à Casa Branca para movimentar US$ 4,2 bilhões para cobrir “prioridades urgentes”. EUA e Irã trocam ataques pelo 10º dia consecutivo Hegseth diz que as histórias sobre as questões orçamentárias eram “fabricadas” e garantiu que seus arsenais não são motivo de preocupação. Mas de acordo com funcionários do Pentágono, ouvidos pelo jornal britânico Telegraph, o departamento estaria deliberadamente escondendo os problemas. Segundo eles, compartilhar “más notícias — ou notícias realistas — não parece terminar bem para ninguém”. A política do silêncio também é aplicada ao Congresso, com detalhes sobre a situação real ocultados com frequência, o que dificulta ainda mais a aprovação das verbas. — Precisamos saber o que estamos comprando e por que estamos comprando —disse ao Washington Post a deputada democrata Betty McCollum, que integra a Comissão de Apropriações da Câmara. Ataques iranianos no Oriente Médio — Foto: Arte/O Globo No fim de semana, foram anunciadas duas mortes de militares na Jordânia e uma no Iraque, elevando para 17 o número de baixas desde o final de fevereiro, quando começou a “Operação Fúria Épica”. Nesta segunda-feira, o Departamento de Defesa confirmou que cerca de 100 militares ficaram feridos desde a retomada dos ataques, no dia 7 de julho. — A guerra tornou-se uma nuvem negra persistente que está azedando o ânimo nacional, o que tipicamente desanima a base do partido no poder e motiva os apoiadores da oposição — disse o ex-deputado republicano Carlos Curbelo ao portal Politico, se referindo aos baixos níveis de apoio à guerra contra o Irã, em torno de 30% nas últimas pesquisas. Na comissão, Hegseth não mencionou os militares mortos ou a guerra em suas declarações iniciais, enquanto Caine pediu a todos que "jamais nos esqueçamos dos nossos heróis que tombaram e de suas famílias, que continuam a nos mostrar o verdadeiro significado de coragem, tenacidade, garra e compromisso com a nação”. O secretário ainda declarou que o Irã está no ponto mais frágil, militarmente falando, na última década, citando os bombardeios recentes contra o país. Em paralelo aos depoimentos, Trump elevou o tom. Na segunda-feira, disse em sua rede social, o Truth Social, que “toda vez que o Irã matar um soldado americano, pagará por essa morte muitas vezes mais!”, uma ordem repassada ao seu comando militar. Nesta terça, ao lado do presidente libanês, Joseph Aoun, na Casa Branca, afirmou que pretende atacar “muito em breve” o complexo subterrâneo conhecido como Montanha da Picareta, nos arredores da central nuclear de Natanz. Pouco se sabe sobre o local, cuja construção começou no início da década, mas a suspeita é de que esteja ali a maior parte dos 400 kg de urânio altamente enriquecido no país. Nesta terça-feira, ao menos dois navios evitaram passar pelo Estreito de Bab el-Mandeb, na entrada do Mar Vermelho, um dia depois da milícia houthi no Iêmen anunciar um bloqueio naval contra a Arábia Saudita, país que há mais de uma década trava um conflito de intensidade variável com o grupo, aliado de primeira hora do Irã. Contudo, os houthis ainda não detalharam como irão exercer o bloqueio, ou se ele poderá afetar outras embarcações que usam a rota, crucial para as exportações energéticas sauditas. Trump disse que “tomará conta” da situação caso haja problemas no estreito. —Até agora, isso não aconteceu. Pode vir a acontecer, mas nós cuidamos da situação — afirmou, antes de recordar os bombardeios contra o grupo realizados no ano passado. — Sabe, já fizemos isso com os houthis antes, e não temos notícias deles há algum tempo, desde que fizemos o que fizemos inicialmente.
Diante da retomada da guerra contra o Irã, Pentágono enfrenta problemas orçamentários e pede ajuda ao Congresso dos EUA
Secretário de Defesa, Pete Hegseth, quer que congressistas aprovem pacote bilionário antes do recesso de agosto; custo oficial da guera chega a US$ 37,5 bilhões














