Segundo o hospital, a decisão pela transferência foi tomada com o objetivo de assegurar a continuidade da assistência em unidade de referência para o acompanhamento cirúrgico do paciente. "Desde sua saída da UTI, em Sinop, até o embarque em um hangar anexo ao Aeroporto Presidente João Batista Figueiredo, com destino à capital paulista, o cacique Raoni foi acompanhado pelo médico Douglas Yanai, integrante da equipe assistencial do Hospital e Maternidade Dois Pinheiros", informou o hospital. No domingo, os exames iniciais de Raoni apontaram alterações na função renal e indicadores compatíveis com um processo infeccioso grave. A principal hipótese diagnóstica é de sepse com foco pulmonar, causada por uma pneumonia broncoaspirativa associada a episódios de vômito. Segundo o diretor técnico do hospital, Douglas Yanai, apesar do histórico médico de Raoni, "ele é um homem forte, mas que é muito importante continuar tendo atenção". "Acho sempre importante a gente lembrar que ele é um homem muito forte. Se nós olharmos o histórico dele, das internações anteriores, a gente pode dizer isso, porque conhece e acompanha a saúde dele desde 2017, quando o conhecemos a primeira vez [...] ele é uma pessoa que já teve as suas intercorrências de saúde ao longo da vida, e como um homem da idade que ele tem, ele tem uma saúde um pouco mais frágil, embora nesse momento esteja bem", disse. Equipe de saúde realiza transferência do cacique Raoni — Foto: Hospital Dois Pinheiros/Sinop Histórico de internações Em maio deste ano, Raoni foi internado no mesmo hospital após sentir fortes dores na barriga devido à uma hernia antiga, mas recebeu alta médica após dois dias de tratamento. Cinco dias depois, Raoni voltou a apresentar complicações de saúde e foi novamente para a UTI para tratar um quadro de pneumonia, onde permaneceu por mais sete dias. Segundo a unidade de saúde, o líder indígena apresentava múltiplas comorbidades, entre elas Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), cardiopatia com marcapasso implantado e insuficiência cardíaca. Em setembro de 2022, ele chegou a ficar internado por cinco dias no hospital de Sinop, após ser diagnosticado com um problema cardíaco e passar por cirurgia para implante de marcapasso. Depois, passou alguns dias no município de Colíder até voltar para a aldeia. Além disso, em julho de 2020, o cacique foi internado em um hospital de Colíder após ter passado mal. Ele chegou a ser transferido de avião para Sinop com complicações gastrointestinais e desidratação. Em setembro do mesmo ano, foi novamente internado com diagnóstico de pneumonia pela equipe médica de sua aldeia, no Parque Indígena do Xingu. À época, recebeu alta médica nove dias depois. Ainda neste período, também apresentou um quadro depressivo após a morte da mulher dele, Bekwyjkà Metuktire. Os feitos de Raoni Lula condecora cacique Raoni com a mais alta honraria do país Veja a trajetória de Raoni: 🎸Em 1989, visitou 17 países durante uma turnê internacional ao lado do ex-baixista Sting da banda inglesa The Police; 🏰Em 2012, foi recebido pelo então presidente da França, François Hollande, no Palácio do Eliseu. Na ocasião, pediu pela preservação da Amazônia e dos povos que vivem na região; 📃Em 2020, recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat). O título é concedido a pessoas que possuem destaque na sua área de atuação ou que sejam personalidades respeitadas pelo trabalho com a sociedade; 🌳Em 2023, acompanhou o presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT) ao subir a rampa do Palácio do Planalto; ⛪Em 2024, entregou uma carta ao Papa Francisco, durante um encontro no Vaticano, em Roma, para falar sobre as mudanças e catástrofes climáticas; O cacique Raoni Metuktire, da tribo caiapó — Foto: Joel Saget/AFP
Cacique Raoni é transferido para hospital de SP após 5 dias na UTI | G1
Raoni Metuktire, de 94 anos, foi transferido de avião e acompanhado por uma equipe médica. A principal hipótese diagnóstica é de sepse com foco pulmonar.











