0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ministro Marco Aurélio Gastaldi Buzzi, do STJ, acusado de assédio sexual — Foto: Raphael Alves - Tribunal de Justiça do Amazonas A defesa apresentada pelo ministro do STJ Marco Buzzi às denúncias de crimes sexuais contra ele ganhou contornos peculiares. Em depoimento prestado na segunda-feira, o magistrado sustentou que seu histórico de problemas ortopédicos e cardíacos, que o colocaria sob “risco de morte súbita”, tornaria incompatível a dinâmica dos fatos narrados pelas denunciantes. As alegações são extensas. Buzzi afirmou sofrer com uma diferença de cinco centímetros entre as pernas em razão de uma reconstrução ortopédica, conviver com parafusos afrouxados, risco de fratura espontânea, cinco stents cardíacos e um marcapasso permanente. A maioria dos fatos foram causados após um acidente grave de moto. O conjunto de problemas de saúde, segundo o ministro, tornaria impraticável qualquer ato libidinoso dentro do mar. Ele disse ainda que a praia estava lotada e que havia até uma apresentação temática inspirada em “Piratas do Caribe” no local. Uma testemunha localizada pelos advogados — que, segundo Buzzi, estava dentro do mar no exato momento do suposto episódio — afirmou se recordar da posição ocupada pelo ministro: cerca de um metro e meio de distância da jovem. As gravações reunidas pela defesa mostram Buzzi e a jovem caminhando aproximadamente 130 metros pela faixa de areia antes de entrar no mar. A explicação apresentada é que ambos buscavam um trecho mais tranquilo da praia em razão das limitações físicas do magistrado. Segundo a denúncia, já dentro da água, o ministro teria puxado o braço da jovem e encostado o pênis em sua cintura, visivelmente excitado. Buzzi contesta cada etapa da cena: sustenta que não teria força para puxar a jovem por conta das limitações nem condições fisiológicas para completar o restante da narrativa. Um dos motivos seria o fato de sofrer de disfunção erétil desde o pós-pandemia. Em relação à segunda denunciante, uma ex-servidora de seu gabinete que relata episódios de assédio ao longo de cerca de dois anos, a estratégia segue a mesma linha: contestar a narrativa apresentada e apontar ausência de provas materiais. A defesa sustenta que os deslocamentos atribuídos ao ministro não seriam compatíveis com suas condições físicas e afirma possuir registros que contradiriam datas, horários e locais mencionados pela servidora. Segundo a rádio corredor de Buzzi, as atribuições da servidora restringiam-se à atuação na recepção, atendendo advogados no balcão, sem qualquer contato direto e frequente com o ministro. As denunciantes não foram submetidas a novo interrogatório. O MPF entendeu que ouvi-las novamente poderia representar uma forma de revitimização.