Apesar de uma repercussão reduzida no ambiente digital, as buscas sobre o líder do governo no Senado dominaram as discussões políticas nas redes, segundo pesquisa Pré-candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) — Foto: Fotos: Marcelo Camargo/Agência Brasil e Andressa AnholeteAgência Senado A operação da Polícia Federal (PF) contra o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), por suspeitas no caso do Banco Master, e o lançamento do pacote de sugestões para a segurança pública do pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, tiveram impacto limitado no ambiente digital, mas contribuíram para uma reação da base bolsonarista, segundo análise da AP Exata Inteligência em Comunicação Digital. A aprovação digital dos pré-candidatos a presidente aferida pela consultoria teve variações pequenas nesta quinta-feira (18), dia da ação policial contra o aliado de Lula e do anúncio do plano de Flávio. O presidenciável apresentou sua agenda de combate à criminalidade em meio aos esforços para contornar a crise provocada pela revelação de seu envolvimento com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, no caso do filme "Dark Horse". O episódio ligando o senador do PL a Vorcaro foi responsável por derrubar em 42% sua credibilidade desde maio, disse ao Valor o cientista de dados Sergio Denicoli, CEO da AP Exata. Na quinta, Flávio teve uma variação diária negativa de 0,5 ponto percentual na métrica de confiança da consultoria, fechando com o índice de 33,8%. Lula oscilou 0,5 ponto para cima, terminando o dia com 40,1%. Os melhores desempenhos foram os dos pré-candidatos do PSD, Ronaldo Caiado (41,6%), do Missão, Renan Santos (41,3%), e do Novo, Romeu Zema (41,0%). Os números ficaram, no geral, estáveis, o que sugere que os fatos de quinta "não alteraram o humor eleitoral das redes" nem impactaram sensivelmente os resultados dos cinco nomes que fazem parte da corrida presidencial, de acordo com o relatório. "O movimento mostra que os dois temas mobilizaram bolhas e alimentaram disputa de narrativa, mas ainda não convenceram moderados nem deslocaram o cenário. A operação contra Wagner, por não envolver diretamente Lula, teve um efeito limitado. Já o pacote de Flávio reativou sua base, mas não foi suficiente para resgatar a credibilidade do presidenciável perante os eleitores", diz o texto. Reações na direita e na esquerda Apesar da repercussão reduzida, as buscas sobre Jaques Wagner dominaram as discussões políticas nas redes, segundo o monitoramento. "Bolsonaristas tentaram transformar o caso em desgaste direto para Lula e o PT, com a hashtag 'LulaMaster', mas a ofensiva encontrou resistência fora da bolha oposicionista. Entre moderados, ganhou força a leitura de que o Caso Master envolve diferentes campos políticos e não permite superioridade moral a nenhum lado", concluiu a AP Exata. "Governistas reagiram destacando a operação como prova de independência da PF e buscaram a narrativa de que 'não têm bandido de estimação', o que ajudou Lula a preservar distância do aliado investigado. Parte da base petista abandonou Wagner, cobrou sua saída da liderança do governo e retomou críticas antigas, associando-o à derrota de Jorge Messias para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal e denunciando sua proximidade com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre." Já em relação ao plano de 12 propostas lançado por Flávio sob o título "Brasil sem Medo", as redes bolsonaristas trataram a iniciativa "como demonstração de autoridade, retomada da agenda de Jair Bolsonaro e tentativa de posicionar Flávio como referência no enfrentamento ao PCC e ao Comando Vermelho. A repercussão positiva, porém, ficou concentrada na base, sem encantar moderados". A interpretação foi a de que o presidenciável do PL buscou reforçar "sua aposta na segurança pública ao anunciar um pacote duro contra o crime organizado", tentando capitalizar a classificação das facções como organizações terroristas pelo governo Donald Trump e "se aproximar do imaginário associado a Nayib Bukele", presidente de El Salvador e referência para a direita brasileira com sua controversa política de segurança. Fator Copa do Mundo A avaliação inicial de Denicoli é que o desgaste envolvendo Wagner parece não ter "contaminado" a imagem de Lula e que o fato de a operação não envolver diretamente o presidente pode ter atenuado os impactos negativos. Já Flávio ainda enfrenta dificuldade para contornar o abalo provocado pela revelação das mensagens trocadas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e pode ter cometido um erro de "timing". "Quando você está com a credibilidade arranhada, que é o caso dele, que ainda não se restituiu, porque ele não esclareceu o que aconteceu exatamente em relação ao financiamento do filme, não adianta lançar nada neste momento, já que as pessoas não vão dar muita atenção", afirmou o CEO. Denicoli acrescentou que talvez não tenha sido o momento mais adequado para o que ele classifica como "uma tentativa de reverter a negatividade na pesquisa". Lançar um pacote de segurança no meio da Copa do Mundo "foi um erro estratégico", considerou. "Nas redes sociais, não existe um espaço delimitado para a política. Ela concorre com os outros assuntos. E, hoje, chamar a atenção significa concorrer com a Copa do Mundo, que é o tema mais comentado agora."