Conceito considera clima local, soluções energeticamente eficientes e recursos naturais para criar projetos com menor impacto ambiental Projeto com arquitetura bioclimática integrado à natureza, alinhamento com a topografia do terreno e uso de soluções inovadoras que reduzam o impacto ambiental — Foto: FGMF/DIVULGAÇÃO As emissões globais de gases de efeito estufa (GEE) atingiram novo recorde em 2025, chegando a 60,6 bilhões de toneladas de CO2 equivalente, segundo o Climate TRACE. Parte disso foi gerada pela construção civil mundial, responsável por 21% das emissões de carbono, de acordo com relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Diante desse cenário, as empresas do setor têm investido em novas abordagens arquitetônicas e na compensação das emissões para mitigar o impacto da atividade no planeta. Uma das estratégias é a adoção da arquitetura bioclimática no desenho dos projetos. O conceito considera as condições climáticas locais, soluções menos intensivas de energia e recursos naturais disponíveis, resultando em empreendimentos de baixo impacto ambiental — mas sem abrir mão do design e da rentabilidade do negócio. Circulação entre edificações do Distrito Itaqui, em Itapevi, a cerca de 30 minutos de distância da capital paulista — Foto: FGMF/DIVULGAÇÃO Em Manaus (AM), o Botânica Office, do escritório Troost+Pessoa Architects, que será entregue no final do ano, já faturou 11 prêmios nacionais e internacionais por suas soluções arquitetônicas, como o paisagismo da manauara Hana Eto Gall. Ela usou seis espécies de trepadeiras em jardineiras na fachada, para filtrar o excesso de luz solar da Amazônia e ajudar na temperatura das salas comerciais. “A baixa luminosidade proporcionada pelas plantas nos permitiu usar vidros comuns nas janelas, o que foi uma economia importante para o incorporador. A temperatura no interior do prédio será mais baixa e isso vai refletir também no valor da conta de luz”, afirma Laurent Troost, sócio do escritório. O prédio tem apenas 15 pavimentos (dez a menos que o permitido), com redução de 10% na área construída. Ainda assim, tem 11 mil metros quadrados de área líquida vendável. “O preço do metro quadrado do Botânica bateu recorde histórico na cidade, chegando a R$ 22 mil. Custou menos, vai economizar energia, mas rentabilizou mais que seus concorrentes”, afirma Vitor Pessoa, também sócio do escritório. Em Itapevi, próximo à capital paulista, a FGMF Arquitetos desenvolve para o Grupo IT Media o primeiro projeto verde de inovação e tecnologia do país: o Distrito Itaqui. A área de um milhão de metros quadrados combinará espaços corporativos, escola, espaço para eventos e hospitalidade de curta duração. “A premissa foi manter a natureza como protagonista, ocupando o mínimo de área e construindo edificações em respeito à paisagem”, explica Lourenço Gimenes, sócio da FGMF. A disposição dos prédios tem parte semienterrada e acompanha a topografia montanhosa do terreno. “Os tetos-jardins também são importantes: não prejudicam a fauna local e permitem isolamento térmico nos ambientes internos”, diz. No Habitarte 2, CO2 emitido na construção foi neutralizado em projeto ambiental no Mato Grosso — Foto: STAN DI/DIVULGAÇÃO Compensação Na capital paulista, a Stan Desenvolvimento Imobiliário tem investido em áreas verdes em seus empreendimentos. Nos residenciais Habitarte 1 e 2, por exemplo, praças arborizadas com cerca de dois mil metros quadrados, concebidas pelo paisagista Luiz Carlos Orsini, reforçam o conceito biofílico aplicado aos projetos. A companhia criou em 2009 o Selo Carbon Control, que monitora e compensa as emissões de carbono dos prédios. Já são 19 projetos compensados, que neutralizaram 116 mil toneladas de CO2 equivalente. “É o mesmo que plantar 830 mil árvores ou retirar das ruas 29 mil veículos por um ano inteiro”, afirma Sandra Germanos, diretora de Marketing da empresa. Os dois condomínios produziram cerca de 27 mil toneladas de CO2, principalmente na fase construtiva, volume que foi compensado com créditos de carbono em dois projetos de preservação em Santa Catarina e Mato Grosso. “As incorporadoras começam a despertar para isso, buscando compensar suas emissões, industrializar o canteiro de obras e pensar na preservação do meio ambiente como um todo. Uma tendência positiva que faz bem para as pessoas, as cidades e o planeta”, resume Sandra. Fachada verde do edifício Botânica Office, em Manaus (AM): filtro de luxo natural — Foto: TROOST+PESSOA ARCHITECTS/DIVULGAÇÃO