Em 19 de junho é celebrado o Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme. Apesar de ser frequentemente associada apenas à anemia, trata-se de uma condição genética complexa que pode afetar diversos órgãos e comprometer a qualidade de vida dos pacientes.

Conforme o Ministério da Saúde, ela é considerada a doença genética hereditária mais comum no Brasil, atingindo mais de 60 mil pessoas, enquanto cerca de 2 milhões de brasileiros possuem o traço falciforme. Por exigir acompanhamento médico constante, a doença falciforme demanda uma abordagem multiprofissional, incluindo cuidados nutricionais e monitoramento contínuo ao longo da vida.

A doença falciforme ocorre devido a uma alteração genética na hemoglobina, proteína responsável por transportar oxigênio pelo organismo. Como consequência, os glóbulos vermelhos passam a assumir um formato semelhante ao de uma foice, tornando-se rígidos e menos flexíveis, dificultando sua circulação pelos vasos sanguíneos.

Segundo o Dr. Marco Túlio Dias, médico hematologista e docente da Afya São João del-Rei, essa característica é responsável por uma série de complicações que vão muito além da anemia. “A doença falciforme é uma doença sistêmica que se origina em uma alteração do sangue, mas suas consequências se espalham por praticamente todos os órgãos do corpo. Os glóbulos vermelhos deformados podem obstruir pequenos vasos sanguíneos, interrompendo o fluxo de sangue e provocando as chamadas crises vaso-oclusivas, que estão entre as manifestações mais dolorosas da doença”, explica.