A quantidade de reuniões nas organizações brasileiras aumentou, mas a qualidade das conversas não acompanhou esse ritmo. Segundo Camila Rigo, sócia da CoCriar e especialista em processos de grupo e cultura organizacional, o modelo predominante ainda confunde alinhamento operacional com construção coletiva, o que compromete a capacidade das equipes de resolver problemas, integrar perspectivas e aprender em conjunto.

A CoCriar é referência no Brasil na aplicação das práticas do Art of Hosting, metodologia voltada à facilitação de conversas significativas em ambientes organizacionais. Ao longo de sua trajetória, Camila observou um padrão recorrente em empresas de diferentes portes e setores.

Reuniões viram espaço de reporte, não de diálogo

“Em muitas organizações, as reuniões funcionam mais como espaços de reporte do que de construção coletiva. O foco nas apresentações e nos slides muitas vezes substitui o diálogo necessário para lidar com os desafios que realmente travam o trabalho”, afirma a especialista.

Para ela, há uma diferença importante entre reunir pessoas e criar condições para que conversas relevantes de fato aconteçam. A lógica dominante ainda está orientada à prestação de contas para a liderança, o que mantém a conversa centralizada na relação entre time e chefia. As trocas horizontais entre áreas acabam ficando em segundo plano.