Formatação do programa está avançada e prevê juro de 3,5% na nova linha para quitar os créditos antigos, mas ainda falta aval final de Lula 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Lula e Durigan anunciaram Desenrola 2.0 no mês passada e ainda finalizam versão para quem está em dia com suas dívidas — Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 18/06/2026 - 20:37 Resistência de bancos atrasa programa para renegociar dívidas A resistência dos grandes bancos atrasou o programa Desenrola para adimplentes, que visa oferecer crédito a 3,5% ao mês para saldar dívidas antigas. A proposta enfrenta desafios por reduzir a rentabilidade bancária e falta de sistemas adequados. Apesar de avanços, o aval final de Lula é necessário. O governo espera lançar o programa em breve, visando trabalhadores informais com dívidas de até R$ 15 mil. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A resistência do setor financeiro, especialmente os grandes bancos, atrasou a finalização do programa Desenrola para quem está em dia com suas operações de crédito. Interlocutores ouvidos pelo GLOBO apontam que a oposição das instituições financeiras tem diversas motivações, entre elas questões relativas a uma redução da rentabilidade das operações contratadas em um contexto de captação de recursos diferente do atual e mesmo a dificuldade de formatação de sistemas. Apesar disso, as negociações em torno do programa avançaram, embora provavelmente será bem menor do que o governo pensava inicialmente. O Desenrola para adimplentes partiu do diagnóstico de que o alto custo do crédito tem deixado as famílias com elevado comprometimento de renda. Ao trocar dívidas caras por mais baratas, abriria-se espaço para outras despesas, no lugar de pagamento de juros. Os bancos, por sua vez, entendem que renegociar dívidas de que não está inadimplente seria uma contradição e teria dificuldades para definição de critérios de elegibilidade (dado que potencialmente atingiria cerca de 95% do universo de pessoas físicas com operação de crédito), fatores agravados pelo fato de que a nova operação seria garantida com recursos públicos nos fundos garantidores. Em meio a essas discussões, a área técnica do governo acabou migrando para um desenho mais limitado, voltado para um universo restrito de trabalhadores informais, com saldo devedor de até R$ 15 mil, ao menos quatro parcelas já pagas e com os pagamentos em dia ou com atraso de no máximo 90 dias (que é o prazo máximo antes de ser enquadrado como inadimplentes). O cenário atual é que a taxa de juros da nova linha de crédito, que quitará a dívida antiga, é de 3,5% ao mês, menos da metade do que se pratica no crédito pessoal não consignado tradicional, o chamado CDC, foco prioritário das renegociações, mas com garantia do governo a até 30% da carteira. O programa prevê que a nova linha poderá ter prazo de financiamento ampliado, considerando as parcelas remanescentes. Por exemplo, se tiver de zero seis a 12 meses a pagar, o novo crédito poderá ter o prazo restante mais dois meses. Apesar desses avanços, ainda faltava um aval final do presidente Lula para o Desenrola Adimplentes, que também prevê a possibilidade de ampliar em 50% o saldo devedor na nova linha de crédito. Com um formato mais restrito e público focado, há possibilidade maior de participação dos bancos grandes privados, apesar das resistências e preocupações com a lógica do programa. O governo não pretende forçar ou pressionar ninguém a aderir, mas acredita que haverá instituições entrando e a competição vai acabar impulsionando os mais resistentes. Um interlocutor também aponta a preocupação de como o Banco Central vai classificar essa renegociação. Se elas forem tratadas como operações "reestruturadas", pode implicar a exigência de maiores provisões e exigência de capital, o que penalizaria os balanços dos bancos e sua capacidade de empréstimo. O fator operacional também deve ser um desafio para as instituições, segundo relatos, porque hoje não há uma plataforma pronta para repactuação de dívidas de adimplentes. Ainda assim, o que claramente pesa mais é o fato de que os bancos, com o Desenrola Adimplentes, serão de certa forma constrangidos a trocar uma dívida que, mesmo com risco, gera um retorno de juros bastante elevados, por uma bem mais barata, mas com garantia federal. O governo quer lançar o programa entre o fim desse mês e o início de julho.