O Brasil enfrenta o Haiti com a obrigação de admitir suas limitações e não utilizar esse jogo contra um rival teoricamente fraco para tentar mascarar as fraquezas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Seleção treina antes do jogo contra o Haiti — Foto: Rafael Ribeiro/CBF RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 18/06/2026 - 22:59 Seleção Brasileira Enfrenta Realidade e Limitações no Futebol Mundial O artigo discute a difícil realidade da seleção brasileira de futebol, que enfrenta o Haiti com a obrigação de admitir suas limitações. O jogador Danilo reconhece que o Brasil está um nível abaixo de potências como França e Argentina. A seleção precisa adotar estratégias mais defensivas para ter chances na Copa do Mundo. A reflexão surge após derrotas que impactaram a hierarquia e o respeito que a camisa brasileira outrora impunha. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Eu não sei você, mas eu não estava preparado para cair na real que o Brasil desceu de escalão. Por mais que soubesse que o ciclo foi lamentável, que a seleção bateu recordes negativos, sofreu contra rivais mais fracos, se classificou aos trancos e barrancos e ainda por cima gastou uma valiosa vaga no elenco para levar um Neymar lesionado em uma decisão em que parece ter pesado mais a fé do que a tática, quando o Brasil aterrisou Mas se o primeiro tempo contra o Marrocos foi um toque de despertar, a entrevista coletiva do Danilo na quarta-feira foi um balde de água fria jogado na cara daqueles, como eu, que não quiseram acordar mesmo depois de todos os sinais. Danilo é muito lúcido falando, mas eu não sei se estou preparado para essa lucidez se o papo é seleção brasileira. Porque dói, cara. É muito difícil reconhecer o estado em que a seleção se encontra, principalmente quando a explicação quem dá é um dos líderes do time que reconhece, sem titubear, que o Brasil, hoje, está um nível abaixo da concorrência. “Temos que ser claros: nós não temos a maturidade que uma equipe como a França ou a própria Argentina tem hoje,” Danilo disse. E, para piorar, ele reconheceu que o Brasil não tem, hoje, a capacidade de jogar de igual pra igual como as principais seleções dessa Copa: “As nossas ferramentas têm que ser diferentes... Talvez ficar um pouco mais baixo, talvez não pressionar tanto, talvez aceitar em algum momento que a posse de bola e o comando do jogo possam ser do adversário...” Longe de mim querer filosofar sobre preferir perder jogando como time grande a ganhar como time pequeno, mas não deixa de ser chocante ouvir do líder da seleção brasileira que a camisa mais pesada do mundo, a do jogo bonito, de Pelé, Garrincha e Ronaldo, já não tem o mesmo pedigree. Que o Brasil perdeu hierarquia como seleção e que precisa pensar seriamente em jogar na retranca, no contra-ataque, para poder ter uma chance de conseguir ganhar o hexa esse ano. Hoje o Brasil enfrenta o Haiti com a obrigação de reconhecer suas limitações e não utilizar esse jogo contra um rival teoricamente fraco para tentar mascarar as fraquezas. Porque o resultado de hoje provavelmente não importa muito. Mas me preocupa quando ouço o Ancelotti dizer que “a Copa não se ganha no primeiro jogo” e que “a estreia não irá determinar o resultado final da Copa”. A Espanha em 2010 e a Argentina em 2022 são exemplos de como importa, e muito, aprender com um toque de atenção na estreia da Copa. Sempre e quando se tem a lucidez, ou, como o Danilo repetiu várias vezes, a maturidade de entender que o começo condiciona o caminho que você percorre. Até porque não existe uma regra de como lidar com a derrota. Vicente del Bosque quase não mexeu no time que perdeu para a Suíça na estreia da África do Sul. Já Lionel Scaloni fez cinco mudanças depois de perder para a Arábia Saudita. Ancelotti precisa encontrar o seu caminho. E o primeiro passo é hoje contra o Haiti.em Nova Jersey eu fui tomado por aquele otimismo inocente, aquela febre de Copa que é gostoso sentir e que faz parte da identidade como brasileiros. Que a camisa canarinho mete medo antes mesmo de a bola rolar e que não existe outro resultado aceitável para o Brasil em uma Copa do que o título. O italiano já sabia que teria pela frente um dos rivais mais difíceis, senão o mais difícil que qualquer cabeça de chave poderia enfrentar. E, para piorar, na estreia. O técnico da Espanha, por exemplo, já falou claramente que pode poupar vários titulares, inclusive a grande estrela Lamine Yamal, na estreia contra o fraco Cabo Verde. Não duvido que a Argentina, cheia de jogadores cansados e lesionados, também pegue leve na estreia contra a Argélia. Portugal pega a RD Congo; Alemanha, Curaçao. Já Ancelotti pega a grande surpresa da última Copa, o time que eliminou Portugal e Espanha antes de perder para a França na semifinal, e que venceu o Brasil em uma noite que, para eles, foi memorável. E para nós, quase humilhante. Foram dias estranhos aqueles que vivi de perto em Rabat, em março de 2023, acompanhando a seleção antes da derrota por 2 a 1 para o time da casa. Quando aquele amistoso foi anunciado, lembro muito bem as conversas com colegas jornalistas que também cobrem a seleção, todos meio sem entender muito bem por que a CBF tinha se metido naquela que parecia uma tremenda roubada. Tite tinha deixado o comando, e o Brasil não tinha técnico. Cruzar o Atlântico com o treinador da seleção olímpica para ser o arroz da festa do Marrocos, no que seria o primeiro jogo deles na frente da torcida depois da campanha histórica no Catar, era algo meio surreal. E tinha a tensão adicional do então presidente Ednaldo Rodrigues estar disposto a tentar persuadir Ancelotti a deixar o Real Madrid para assumir a seleção. Eu, inclusive, não fui ao Marrocos para cobrir o jogo. Minha única intenção, como repórter da Reuters, era convencer Ednaldo a falar sobre isso pela primeira vez diante de uma câmera. E consegui a exclusiva que caiu como uma bomba na Europa. Era o presidente da Confederação Brasileira de Futebol reconhecendo pública e abertamente que queria um treinador estrangeiro que tinha contrato vigente com o maior clube do mundo... Era o começo de uma novela que primeiro parecia impossível, foi ridicularizada e, dois longos anos depois, acabou se concretizando, mas às custas de um abandono da seleção brasileira que pode ter consequências na busca pelo hexa nos EUA. E o primeiro capítulo do que foi o pior ciclo de Copa daquela que, um dia, foi a maior e mais respeitada seleção do planeta começou lá em Rabat. Foi uma noite mágica para o time da casa e para os torcedores locais, porque coincidiu com o fim do mês sagrado do Ramadã, o chamado na fé muçulmana de Eid al-Fitr, quando os fiéis terminam o período de jejum e penitência com júbilo. A partida foi posta num horário acorde com a celebração. Foi lindo de ver como observador, mas estava na cara que era uma cilada a que o Brasil foi irresponsavelmente exposto. Graças a derrotas como aquela, a seleção foi perdendo uma das coisas mais difíceis de recuperar no futebol: a hierarquia. Aquele respeito, receio que os rivais sempre tiveram quando viam do outro lado a mística camisa amarela. Vini Jr., Casemiro, Paquetá e Ibañez estavam em campo naquela derrota e, amanhã, terão a oportunidade de recuperar, dentro de campo, essa hierarquia, esse respeito. E mostrar que nada disso está perdido, que o Brasil é apenas um gigante adormecido.
É muito difícil reconhecer que a seleção brasileira está um nível abaixo da concorrência
O Brasil enfrenta o Haiti com a obrigação de admitir suas limitações e não utilizar esse jogo contra um rival teoricamente fraco para tentar mascarar as fraquezas













