Seu emprego vai existir daqui a cinco anos? Pesquisadora responde‘O impacto da IA não é demissão, mas o desaparecimento dos cargos de entrada’, afirma pesquisadora.Gerando resumoRIO - O setor de petróleo voltou a viver no Brasil um clima que lembra os anos de boom da década passada. Com contratações no maior ritmo desde 2010, o setor reacendeu o fascínio por uma das raras indústrias capazes de combinar remuneração elevada, demanda aquecida e perspectiva de ascensão rápida. Em plataformas, sondas e operações marítimas, os salários podem ultrapassar R$ 40 mil por mês. O movimento recolocou empresas como Petrobras, Modec e Ocyan no radar de jovens profissionais e trabalhadores em busca de estabilidade financeira e carreira internacional.PUBLICIDADEMas o novo ciclo de expansão trouxe um efeito colateral típico da era digital: a explosão dos golpes de falso emprego. Empresas como Petrobras, Modec e Ocyan intensificaram ações para conter anúncios fraudulentos, perfis falsos e cobranças indevidas feitas em nome de processos seletivos. O alvo é previsível: jovens atraídos pela perspectiva de embarcar em uma indústria conhecida pelos altos salários e pela escassez de mão de obra qualificada.O alerta mais simbólico veio da própria presidente da estatal, Magda Chambriard, que denunciou no LinkedIn um vídeo falso usando sua imagem para vender cursos ligados ao pré-sal. “Tempos delicados”, escreveu. “Não podemos compactuar com esse mau uso (diria até criminoso) das nossas redes sociais.”Leia maisPetrobras vende 1º lote de combustível de aviação feito com óleo de soja certificadoCem maiores marcas brasileiras valem US$ 90,2 bilhões; veja quem lidera e consulte rankingO episódio expõe como o novo ciclo de crescimento do petróleo brasileiro acontece em um mercado de trabalho radicalmente diferente daquele do último boom da indústria. Desta vez, além de disputar talentos, as empresas também precisam proteger candidatos em um ambiente dominado por redes sociais, recrutamento digital e fraudes cada vez mais sofisticadas.PublicidadeAs fraudes costumam começar com anúncios falsos de vagas em empresas conhecidas do setor, mas assumem diferentes formatos para extrair dinheiro ou informações pessoais dos candidatos. Em alguns casos, os golpistas cobram por cursos e certificados supostamente exigidos para a contratação ou para o embarque em plataformas. Em outros, exigem pagamentos para avançar em etapas inexistentes do processo seletivo ou solicitam dados pessoais sob o pretexto de dar continuidade à seleção.No caso da Petrobras, há ainda uma frente paralela de desinformação. Plataformas que comercializam cursos preparatórios para concursos recorrem a informações antigas ou fora de contexto para alimentar a expectativa de novos editais, sugerindo a abertura iminente de certames que sequer foram anunciados pela companhia.Para a Petrobras, a força da marca e o apelo como empregadora estão entre os principais fatores explorados por golpistas. “Temos um monitoramento ativo sobre a marca e recebemos denúncias das pessoas. Nos últimos meses foram 50 casos. Dependendo da gravidade, a área de segurança corporativa é acionada, podendo gerar responsabilização nas esferas cível e criminal”, diz o gerente geral de Efetivo, Jornadas e Relacionamento com Pessoas da estatal, Rodrigo Granja, ao Estadão/Broadcast Weekend.Setor de petróleo vive um bom momento na contratação de mão de obra Foto: Marcos de Paula/EstadãoO interesse pelo segmento ajuda a dimensionar o tamanho do problema. O último concurso da Petrobras atraiu 220 mil inscritos, enquanto carreiras técnicas ligadas ao petróleo seguem entre as mais bem remuneradas da economia brasileira.PublicidadeDados da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) mostram que carreiras técnicas, como operadores de instalações, máquinas e montadores, tiveram rendimento de R$ 5,1 mil em 2025, quase o dobro dos R$ 2,7 mil de trabalhadores com o mesmo nível de escolaridade na população ocupada. Funções ligadas à perfuração e sondas de poços tiveram renda declarada superior a R$ 18 mil. Já controladores da navegação marítima podem chegar a R$ 40 mil. Adicionais como periculosidade e confinamento marítimo por longos períodos ajudam a inflar os valores.Na Ocyan, a empresa observa, desde janeiro de 2025, aumento na frequência de tentativas de golpe envolvendo vagas, com média de até três ocorrências por mês. A empresa tem publicado alertas em seu site e reforçado que os processos seletivos são conduzidos exclusivamente por meios oficiais e não envolvem cobrança ou pagamento por parte dos candidatos.A Modec também identificou anúncios e perfis falsos que usam o nome da companhia e até nomes de profissionais para dar credibilidade a falsas oportunidades. “Atualmente, não utilizamos consultorias para contratar vagas próprias no Brasil. As vagas são divulgadas no Portal de Oportunidades e no LinkedIn, onde temos implementado ações de conscientização para ajudar candidatos a identificar possíveis fraudes”, informou a empresa.A companhia reforça o alerta para contatos por redes sociais e para qualquer cobrança de pagamentos para participação em seleções, exames médicos ou certificações, práticas que afirma não adotar.PublicidadePUBLICIDADESegundo dados da plataforma SOS Golpe, as táticas de golpes relacionados a emprego ou renda extra aumentaram 56% de março a abril. O prejuízo médio é de R$ 464 por vítima.A fundadora da empresa de proteção financeira Silverguard, Marcia Netto, pontua que o mercado de óleo e gás é especialmente explorado com o golpe do certificado. “Como é um setor altamente regulamentado, o candidato não estranha quando o ‘RH’ diz que ele precisa de uma certificação específica ou de segurança para ser contratado. Em um caso mapeado, a vítima pagou por um curso falso com promessa de liberação para ‘embarcar’, mas não teve nem retorno do processo”, detalha.Fake news sobre novos concursosNa Petrobras, o mapeamento interno aponta três frentes em que informações atreladas à companhia são falsas ou distorcidas: pagamentos atrelados à efetivação em uma vaga; exigência de compartilhar dados pessoais para seguir com a falsa candidatura à vaga; e plataformas de venda de cursos preparatórios para concursos. Nesse caso, o risco está na circulação de informações antigas.O gerente da estatal ressalta que o último concurso da empresa ocorreu em 2023, para nível técnico, e que todos os aprovados já foram convocados, restando o cadastro de reserva válido até junho de 2027, sem obrigatoriedade de chamada, a menos que haja demanda da companhia. “Qualquer novo concurso seguirá o plano estratégico 2026-2030 e será divulgado no site da empresa”, diz.Publicidade