Manutenção foi aprovada pelo comitê de política monetária por 7 votos a 2, com membros contrários à decisão defendendo aumento para "ajudar a ancorar as expectativas de inflação" O Banco da Inglaterra (BoE) manteve a taxa básica de juros em 3,75% ao ano, em uma decisão dividida e amplamente esperada pelo mercado. A autoridade monetária destacou que a queda nos preços globais de energia e os sinais de enfraquecimento da atividade econômica podem contribuir para moderar as pressões inflacionárias nos próximos meses. A manutenção dos juros britânicos foi aprovada pelo comitê de política monetária por sete votos a dois, com o economista-chefe Huw Pill e Megan Greene defendendo uma alta de 0,25 ponto percentual na taxa, para 4%. “Os preços globais da energia caíram desde a reunião anterior em resposta aos eventos no Oriente Médio”, diz o BoE, em comunicado. No entanto, permanecem mais altos do que antes do conflito e continuam voláteis, e o impacto do choque energético na economia do Reino Unido permanece incerto. Assim, o comitê seguirá monitorando os desdobramentos no Oriente Médio e seus efeitos sobre a economia. O BoE afirma ainda que política monetária não influencia os preços da energia, mas é calibrada para garantir que seus efeitos sobre a economia sejam compatíveis com o alcance da meta de inflação de 2% no médio prazo. “A postura política necessária para atingir esse objetivo dependerá da escala e da duração do choque e de como ele se propaga pela economia”, diz. O comitê reiterou que está pronto para agir conforme necessário para atingir a meta. Por fim, o BoE afirma que a inflação ao consumidor desacelerou para 2,8%, mas deve voltar a subir ainda neste ano, e a persistência de preços elevados de energia aumenta o risco de pressões inflacionárias indiretas por meio de salários e preços. “No entanto, o mercado de trabalho continua a se afrouxar, e os sinais de enfraquecimento da economia podem conter as pressões inflacionárias.” As taxas de juros permanecem mais altas do que antes do conflito, o que contribuirá para reduzir a inflação ao longo do tempo, conclui. Divergências Mesmo com a maioria dos membros do comitê avaliando que a redução dos riscos para os preços da energia e o impacto já restritivo dos juros justificaram a manutenção da taxa básica, a ata da reunião mostrou divergências sobre os possíveis efeitos inflacionários do choque energético. Dois dirigentes defenderam uma alta de juros diante do risco de pressões mais persistentes sobre preços e salários. O presidente do BoE, Andrew Bailey, afirmou que a recente queda dos preços da energia aumentou a confiança de que o processo de desinflação segue em curso, em meio a sinais de enfraquecimento do mercado de trabalho e da demanda. “Estou satisfeito, no momento, em manter a taxa de juros, embora reconheça que os riscos para a inflação e as taxas de juros são de alta”, afirmou Bailey, segundo a ata, divulgada juntamente com o comunicado da decisão. “Dado o contexto atual de fragilidade na economia real e incerteza em relação à escala e duração do choque nos preços da energia, tolerar uma inflação temporariamente acima da meta como parte de um retorno à meta é uma maneira apropriada de abordar o equilíbrio, desde que as expectativas de inflação permaneçam controladas”, afirmou. Para Catherine Mann, integrante do BoE, os riscos de alta na inflação são mais proeminentes entre os possíveis cenários futuros, mas um aumento imediato na taxa de juros não é necessário, dada a sua visão de que o aperto da política monetária se transmitiria rapidamente à economia. “Pesquisas mostram que uma decisão enérgica sobre a taxa básica de juros pode ter um efeito rápido sobre a inflação e as expectativas de inflação”, disse. “Assim, tenho tempo para continuar avaliando as medidas de expectativas de inflação e restritividade financeira.” Por outro lado, dada a significativa incerteza sobre a extensão de efeitos secundários, dois membros, o economista-chefe Huw Pill e Megan Greene, preferiram aumentar as taxas como parte de uma estratégia de gestão de riscos. “Um aumento proativo na taxa básica de juros agora deve ajudar a ancorar as expectativas de inflação”, disse Greene. Segundo Phill, mesmo com um mercado de trabalho mais flexível, o risco de efeitos secundários permanece. “Embora as condições financeiras gerais do Reino Unido tenham se tornado mais restritivas desde o início do conflito, continuo a defender uma ação rápida, porém moderada, sobre a taxa básica de juros agora.” Uma alta de juros deixaria a política monetária mais bem posicionada para enfrentar as incertezas atuais e daria ao comitê flexibilidade para reagir a novos desdobramentos econômicos, pontuou. — Foto: Hollie Adams/Bloomberg
BoE mantém juros inalterados em 3,75% ao ano, com queda nos preços de energia e economia fraca
Manutenção foi aprovada pelo comitê de política monetária por 7 votos a 2, com membros contrários à decisão defendendo aumento para "ajudar a ancorar as expectativas de inflação"














