Lembram-se de quando, em 2013 e 2014, milhões de brasileiros foram às ruas exigir "hospitais padrão Fifa"? Lembram-se de que, mais de uma década antes do pontapé inicial, o Qatar já era obrigado a se defender de acusações de corrupção e violação dos direitos humanos? Lembram-se de que a África do Sul apresentou a Copa como um projeto nacional de desenvolvimento?

Um mundial é sempre mais do que um mês de futebol. É um processo longo de debate público, investimentos estatais e privados, disputas de poder e organização logística.

Menos em Portugal. A quatro anos do início do evento, os portugueses esqueceram-se de que têm uma Copa para coorganizar, juntamente com Marrocos e Espanha. Salvo raras notícias em jornais esportivos e reuniões burocráticas na Fifa, o país comporta-se como se não lhe tivesse sido atribuída a coorganização do maior evento midiático do planeta.Os otimistas dirão que não há razão para dramatismo. Portugal organizou a Eurocopa de 2004, ganhou experiência, construiu estádios, recebeu milhares de torcedores estrangeiros e projetou uma imagem de competência. Em 2030, acrescentarão, o país receberá apenas seis jogos, distribuídos por três estádios já existentes (Luz, Alvalade e Dragão). Não haverá, portanto, necessidade de grandes obras, grandes sacrifícios orçamentários ou grandes debates nacionais.