Há muito tempo, neurocientistas trabalham com a hipótese de que pessoas bilíngues processam diferentes idiomas com padrões separados de atividade cerebral. Um novo estudo indica que esses padrões são mais semelhantes do que se esperava.

Ao decidirem como colocar uma palavra no singular ou no plural, por exemplo, bilíngues exibem atividade cerebral surpreendentemente similar, independentemente de estarem falando em um idioma ou outro.

"Não era óbvio que seria tão compartilhado", disse a psicóloga e neurocientista Esti Blanco-Elorrieta, da Universidade de Nova York (Estados Unidos), uma das autoras do estudo publicado na última segunda-feira (15) na revista JNeurosci. "Esta é, sem dúvida, uma das primeiras descobertas mais detalhadas sobre quão verdadeiramente integrados dois idiomas estão no cérebro."

Pesquisas iniciais viam o bilinguismo como um acréscimo ou perturbação ao processamento da língua nativa, de acordo com a psicolinguista Judith Kroll, da Universidade da Califórnia em Irvine, que não participou do novo estudo.

Estudos subsequentes descobriram que cérebros bilíngues tendem a apresentar diferenças físicas, como substância branca mais eficiente e alterações na substância cinzenta, além de ter melhor desempenho em tarefas de memória e concentração.