Dados mostram resultado de acompanhamento de quase dois anos do uso do dispositivo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Casey Harrell — Foto: Conselho de Regentes da Universidade da Califórnia, Davis/Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 16/06/2026 - 15:31 Implante cerebral devolve fala a paciente com ELA avançada Um homem de 48 anos com ELA avançada voltou a falar usando um implante cerebral conforme estudo na Nature Medicine. O dispositivo BCI traduz a atividade neuronal em texto, permitindo que Casey Harrell se comunique de forma independente. Em dois anos, ele formou mais de 183 mil frases. A tecnologia mostrou precisão acima de 99% e pode funcionar por 19 horas contínuas. A ELA é uma doença degenerativa sem cura que afeta funções motoras. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Um homem de 48 anos, diagnosticado com esclerose lateral amiotófica (ELA) avançada, voltou a falar com a ajuda de um implante cerebral. O americano Casey Harrell foi acompanhado por uma equipe de pesquisadores e o resultado foi publicado nesta segunda-feira (15) na revista científica Nature Medicine. "Isso me permitiu continuar trabalhando, ganhar dinheiro e garantir o seguro saúde da minha família. Está me reconectando com amigos e familiares que são tímidos demais ou têm medo de me visitar e não conseguem me entender", afirma Harrel, em entrevista à Nature. O dispositivo, chamado de interface cérebro-computador (BCI) intracortical e apelidado de neuroprótese, consegue traduzir a atividade dos neurônios de Harrell no formato de texto. A ação da tecnologia teve registros analisados por cientistas pelo período de mais de 3.800 horas, o equivalente a quase dois anos. De acordo com a equipe da Universidade da Califórnia — Davis, nos Estados Unidos, ele se comunicou de forma independente com 183.060 frases, um total de 1.960.163 palavras, a uma taxa média de 56 palavras por minuto. Segundo Harrell, 92% das frases decodificadas pelo dispositivo estavam parcialmente corretas. Além disso, ao ler palavras escritas em uma tela, com a presença dos pesquisadores, a tentativa de fala foi consistentemente decodificada com mais de 99% de precisão. O sistema foi automatizado para que a inicialização e o desligamento fossem simples o suficiente para os cuidadores treinados conseguirem colocar e retirar do paciente. A equipe também afirma que o dispositivo pode operar continuamente por até 19 horas sem qualquer intervenção do cuidador. Ao todo, 256 microeletrodos foram implantados em Harrell no córtex motor da fala, parte importante da linguagem do cérebro. Os eletrodos, por sua vez, foram conectados a dispositivos eletrônicos de gravação. E após 9 meses de treino, ele já conseguia utilizar o equipamento no dia a dia. "O participante utilizou este sistema BCI multimodal como seu modo preferido de comunicação e acesso digital, em vez de opções existentes, como um mouse giroscópico ou tradução por um profissional de saúde. Ele utilizou este sistema em diversos contextos pessoais e profissionais; a riqueza e a duração do uso neste estudo fornecem fortes evidências de que as BCIs intracorticais podem oferecer não apenas alto desempenho em ambientes de pesquisa, mas também suporte estável e versátil para comunicação e interação digital durante o uso independente em casa", escreveram os cientistas. Casey e sua filha no hospital — Foto: Reprodução/GoFundMe O que é esclerose lateral amiotrófica (ELA)? A esclerose lateral amiotrófica é uma doença neurológica degenerativa que afeta o sistema nervoso. A condição não tem cura e leva o paciente a ter paralisação gradual das funções motoras, como falar, movimentar, engolir e respirar. Em 2018, Stephen Hawking, um dos físicos e matemáticos mais importantes da história, foi a óbito após enfrentar a doença por mais 50 anos. De acordo com o Ministério da Saúde, as causas para este tipo de esclerose (grupo de doenças que promovem um aumento do tecido conjuntivo e posterior endurecimento do órgão) ainda não são totalmente conhecidas. No entanto, 10% dos casos são associados à mutação genética. As outras possibilidades associadas ao surgimento da ELA são desequilíbrio químico no cérebro, o que é tóxico para as células nervosas, doenças autoimunes e mau uso de proteínas. Esclerose lateral amiotrófica (ELA) tem cura? Não há cura para a ELA. Apenas cerca de 25% dos pacientes sobrevivem por mais de cinco anos depois do diagnóstico com tratamento e fisioterapia, reabilitação, uso de órteses, muitas vezes também sendo necessário utilizar cadeira de rodas.
Homem com ELA volta a falar com uso de implante cerebral, mostra estudo da Nature
Dados mostram resultado de acompanhamento de quase dois anos do uso do dispositivo











