A Clever, operadora de estações de recarga para carros elétricos, tirou cargos de liderança do organograma para melhorar desempenho. Colegiados tomam decisões 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Estação de carregamento da Clever em Borgergade, Copenhague: empresa dinamarquesa está tentando algo que considera muito inteligente: eliminou os chefes para fomentar a criatividade e impulsionar o desempenho da equipe — Foto: Liselotte Sabroe / Ritzau Scanpix / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/06/2026 - 21:53 Empresa Dinamarquesa Remove Chefias para Estimular Criatividade e Autonomia A Clever, empresa dinamarquesa de estações de recarga para carros elétricos, aboliu cargos de chefia para fomentar a criatividade e autonomia dos funcionários, adotando grupos autogeridos. Fundada por Casper Kirketerp-Møller, a empresa visa acelerar decisões e valorizar o talento humano na era da IA. Apesar de desafios, como estresse por incertezas, a maioria dos funcionários aprova o modelo. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Clever, uma operadora de estações de recarga para carros elétricos, é uma das raras companhias da Dinamarca que funcionam sem chefes. É um modelo que busca estimular a criatividade dos funcionários e o desempenho coletivo. Mas será que estão mais felizes? E na dúvida, quem decide? Em sua sede, instalada em uma antiga área industrial de Copenhague, a empresa não adota estruturas hierárquicas tradicionais. Em vez disso, funciona com grupos autogeridos, nos quais cada funcionário participa das decisões e acompanha sua execução. A Dinamarca e outros países nórdicos são conhecidos por defender modelos sociais igualitários e estruturas empresariais menos hierarquizadas. Casper Kirketerp-Møller fundou a empresa em 2012 com poucos funcionários. Mas queria ir além, acreditando que seria possível "fazer melhor do que com o modelo tradicional", disse à AFP. O então CEO da empresa dinamarquesa Clever, Casper Kirketerp-Moeller: ele fundou a empresa em 2012 com poucos funcionários. — Foto: Soeren Bidstrup / Ritzau Scanpix / AFP Com o crescimento da empresa, o fundador iniciou em 2019 uma transformação gradual para eliminar os cargos de gestão intermediária e, posteriormente, até mesmo sua própria função de diretor-executivo. Para ele, o mais importante era liberar o potencial de cada trabalhador, algo especialmente relevante na era da inteligência artificial. — Em uma nova era em que a IA fará tudo com eficiência, será o talento humano que permitirá às empresas prosperar e inovar no futuro — afirmou. A reorganização da Clever foi motivada pelo desejo de acelerar a tomada de decisões, eliminando atrasos provocados por sucessivas aprovações hierárquicas, além de ampliar a autonomia dos funcionários. — Muitas organizações têm um alto grau de complexidade, e isso torna as decisões muito difíceis em estruturas altamente hierárquicas e burocráticas, porque elas envolvem vários gerentes — explicou Helge Hvid, professor da Universidade de Roskilde e especialista em organizações autogeridas. A ausência de hierarquias é popular entre os funcionários, especialmente entre os mais jovens. — As pessoas querem permanecer em seus empregos e querem que seu trabalho tenha significado. Elas querem autonomia — afirmou Hvid. A Clever eliminou completamente os cargos de chefia em 2025. — Ao contratar e distribuir funções, deixamos claro que esperamos que as pessoas assumam responsabilidade por sua função, por si mesmas e pela equipe — disse Kirketerp-Møller. Ele e os demais fundadores venderam recentemente a Clever para a distribuidora de energia dinamarquesa Andel, que garantiu a manutenção do modelo organizacional. Estruturas necessárias A Clever tem cerca de 500 funcionários divididos em mais de 50 equipes de oito a 12 pessoas organizadas por objetivos. As funções são definidas dentro de cada grupo. — Uma das principais motivações para tornar as organizações mais livres é combater a burocracia, mas, paradoxalmente, ainda é necessária uma certa formalização para definir claramente as regras do jogo para todos — explicou Anne-Sophie Dubey, especialista em teoria organizacional do Conservatoire National des Arts et Métiers, de Paris. — Não se pode simplesmente dar liberdade e remover as estruturas, porque isso gera caos — observou Kirketerp-Møller. Lykke Jeppesen, funcionária da Clever, defende o modelo. — Trabalho em uma equipe em que somos iguais (...). Estamos aqui para ter sucesso juntos, então não existe competição interna — afirmou a profissional de 37 anos, que auxilia equipes na tomada de decisões conjuntas. Alta aprovação Segundo uma pesquisa interna realizada em 2024, 92% dos funcionários da Clever afirmaram gostar de ir trabalhar todos os dias. Lykke Jeppesen disse que o modelo "responde a necessidades humanas muito básicas, como sentir autonomia e liberdade". Incerteza estressa Na Dinamarca, a autogestão ainda é um modelo minoritário, mas pode ser encontrada em diferentes tipos de organizações, desde uma subsidiária municipal da agência pública de emprego até associações de defesa dos direitos da infância. O cotidiano, porém, também apresenta desafios e exige atenção constante. — Existem fatores de estresse nas organizações autogeridas. Pode haver conflitos. Excesso de responsabilidades é outro fator. A incerteza também pode causar estresse — afirmou o professor Hvid.