Apenas neste século, EUA e Israel estiveram equivocados no Afeganistão, no Iraque, na Líbia e agora no Irã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Presidentes dos EUA, Donald Trump (D), aperta a mão do premier de Israel, Benjamin Netanyahu — Foto: Jim WATSON / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/06/2026 - 21:05 Trump e Netanyahu: Erro Estratégico ao Atacar o Irã Reforça Regime Iraniano A decisão de Trump e Netanyahu de atacar o Irã foi vista como um erro estratégico, repetindo falhas de intervenções anteriores no Oriente Médio. Embora alertados sobre os riscos, Trump foi seduzido por Netanyahu, mas acabou por reverter a escalada do conflito. O regime iraniano, agora mais forte, aumentou seu poder de barganha nas negociações nucleares, destacando o fracasso da estratégia adotada. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A decisão de Donald Trump de atacar o Irã, junto com Israel, estava errada. Quem defendeu o conflito, seja político ou analista, deveria, no mínimo, fazer uma autocrítica. Não foi a primeira vez que esses falcões bélicos erraram. Apenas neste século, estiveram equivocados no Afeganistão, no Iraque, na Líbia e agora no Irã. Milhares de pessoas perderam a vida por causa destas pessoas. Até quando seguirão com tanto poder em Washington? Nem mesmo a vertente isolacionista do trumpismo foi capaz de impedir mais um conflito armado fracassado dos EUA. Muitos, inclusive na administração de Donald Trump, como o vice JD Vance, alertaram para o enorme risco de atacar o Irã. Sabiam da capacidade de Teerã de fechar o Estreito de Ormuz e responder contra interesses americanos na região, além dos efeitos econômicos negativos. Seduzido por Benjamin Netanyahu e por sua própria vaidade, no entanto, o presidente americano deu as ordens para o ataque. Imaginava que seria possível derrubar o regime iraniano ou ao menos forçá-lo a capitular. Não aconteceu nem uma coisa nem outra. Não houve mudança de regime, mas o regime mudou. Antes envelhecido, decadente e visto como um tigre de papel, agora está rejuvenescido e empoderado. Segue ideológico, mas passou para as mãos de uma junta militar da Guarda Revolucionária extremamente radical, deixando para trás a cautela dos aiatolás quando o país era governado pelo líder supremo Ali Khamenei — seu filho, que assumiu o poder depois do assassinato do pai, é mais uma figura simbólica e não está claro seu estado de saúde. Ao menos Trump percebeu a tempo que era melhor fazer uma correção do que escalar ainda mais o conflito, como desejava Netanyahu. Conseguirá reabrir Ormuz, que estava aberto antes da guerra. Pode negociar um bom acordo nuclear com o Irã, como poderia ter negociado mesmo sem a guerra. Mas agora terá de pagar um preço mais elevado, porque o regime de Teerã aumentou seu poder de barganha. Antes, havia a ameaça da guerra. Agora, conseguiu sobreviver e demonstrou, na prática, ter a capacidade de fechar a passagem do Golfo Pérsico para o Oceano Índico. Assinar o acordo seria uma segunda correção de Trump. Afinal, no primeiro mandato, também seduzido por Netanyahu, abandonou o JCPOA, como era chamado o acordo nuclear bem-sucedido negociado com o Irã pelo então presidente Barack Obama e outras grandes potências. Os defensores da saída, que são os mesmos defensores da guerra, também deveriam fazer uma autocrítica. O regime iraniano podia enriquecer urânio apenas até 4% e era impedido de armazenar urânio enriquecido, que enviava para a Rússia. Sem o JCPOA, passou a enriquecer urânio a 60%, próximo ao patamar necessário para produzir uma bomba atômica. A questão iraniana está longe de ser resolvida, mas claramente a estratégia de Netanyahu, implementada por Trump, é um enorme fracasso. Os ataques do ano passado até fizeram sentido, por terem sido pontuais e com o objetivo claro de destruir instalações nucleares iranianas. O passo seguinte deveria ter sido sentar-se à mesa e firmar um acordo para restringir o programa nuclear do Irã. Naquele momento, EUA e Israel estavam em posição de força.
Erros de Trump e Netanyahu repetiram intervenções anteriores e aumentaram poder de barganha de Teerã
Apenas neste século, EUA e Israel estiveram equivocados no Afeganistão, no Iraque, na Líbia e agora no Irã








