Há uma sensação de vida nas ruas em plena terça-feira, por volta das 23h, em Tirana, capital da Albânia, pequeno país europeu com cerca de 3 milhões de habitantes, à beira do mar Adriático. Os bares cheios de locais mostram que a Albânia ainda está naquele meio-termo em que restaurantes, cafés e lojas começam a pipocar, mas ainda não se tornou mais uma vítima do turismo predatório, como muitas outras capitais do continente.
"Dez anos atrás não existia nada disso", comenta o chef Ndoc Shtjefni, nome por trás do restaurante N’Tinga, aberto há menos de um ano com cozinha especializada em massas frescas combinadas com frutos do mar.
O recente boom de novos lugares, como o N’Tinga, acompanha o fim da ditadura comunista que governou o país por mais de quatro décadas até o início dos anos 1990. Shtjefni fala entusiasmado sobre essa nova fase e conta como o seu cardápio reverbera a mudança dos tempos.
A explicação está na história recente do país. O regime comunista priorizava a agricultura e a pecuária para a produção em massa de alimentos básicos tabelados. Não havia diversidade. Diante disso, frutos do mar frescos eram vistos como artigos de luxo, típicos da Itália ou da Grécia, países considerados inimigos ideológicos e notórios abrigos para emigrantes da Albânia.















