Gerando resumoBRASÍLIA - O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central diminuiu a taxa Selic em 0,25 ponto porcentual, de 14,50% para 14,25% ao ano, nesta quarta-feira, 17. A decisão foi unânime e ficou em linha com a expectativa de 39 das 49 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast.Foi o terceiro corte consecutivo. Os juros já caíram 0,75 ponto porcentual desde março, quando o BC começou um “ciclo de calibração” cautelosa da política monetária, em meio às incertezas sobre os impactos da guerra do Irã na cadeia global de suprimentos, os preços de commodities e a própria inflação. PUBLICIDADEAntes, o Copom manteve a Selic em 15% – o maior nível em quase duas décadas – por dez meses seguidos, de junho de 2025 até março de 2026. No comunicado, o comitê afirmou que a “magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”.Publicidade“O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho”, disse o comitê. “Nesse momento, as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária. Ao mesmo tempo, a incerteza acerca dessas projeções permanece mais elevada que o usual, em função da falta de clareza sobre a trajetória dos condicionantes dos modelos de projeção analisados.”Copom reduz taxa de juros em 0,25 ponto e Selic cai para 14,25% ao ano Foto: Adobe StockCopom monitora risco de estímulos ao consumo O Copom passou a incluir, em seu balanço de riscos de alta para a inflação, “estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo”. A avaliação ocorre em meio ao lançamento de novos programas de crédito pelo governo do presidente Lula, que tenta a reeleição em outubro.Quanto ao fiscal, o colegiado reiterou que acompanha como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, “reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza”. Ainda sobre o cenário doméstico, o Comitê afirmou que os indicadores correntes de atividade econômica mostram recuperação em relação ao último trimestre de 2025, e mantêm-se consistentes com a trajetória de desaceleração no acumulado de 2026. PublicidadeObservou, porém, que o conjunto dos indicadores mostra aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre do ano, com setores mais cíclicos voltando a desempenhar papel significativo, e mercado de trabalho ainda com sinais de resiliência.O Copom também afirmou que, nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se adicionalmente da meta para a inflação, superando seu limite superior na última leitura. “O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho”, disse. Incerteza no exteriorO Comitê atribuiu a continuidade da incerteza do ambiente externo à indefinição sobre os termos do acordo entre Estados Unidos e Irã e as consequências dos efeitos já materializados do conflito. “O ambiente externo permanece incerto em função da indefinição sobre os termos do acordo para cessar os conflitos armados no Oriente Médio e as consequências dos efeitos já materializados desses conflitos até o momento, com reflexos nas condições financeiras globais”, afirmou. PublicidadeO Copom afirmou que tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.Novo horizonte relevanteO BC sinalizou que passou a trabalhar com uma “trajetória alternativa” para a taxa Selic que garante a convergência do IPCA ao centro da meta, de 3%, no primeiro trimestre de 2028 - e não mais no fim do ano que vem, que é o atual horizonte relevante.Essa “rolagem” do horizonte explica, em grande medida, a redução de 0,25 ponto porcentual na taxa básica de juros, de 14,50% para 14,25%, mesmo diante da alta da projeção do BC para a inflação de 2027 (3,5% para 3,7%) e do aumento das expectativas de inflação do mercado. O Copom explica que o grau de restrição acumulado pela taxa de juros brasileira permite diferentes trajetórias da Selic compatíveis com a convergência. Mas a trajetória que asseguraria a convergência do IPCA a 3% no fim de 2027 levaria a uma inflação abaixo da meta a partir do primeiro trimestre de 2028, o que indica impacto na atividade.Publicidade“Nessas condições, o comitê avalia que trajetórias alternativas garantindo a convergência da inflação à meta no primeiro trimestre de 2028, o horizonte relevante a partir de sua próxima decisão, são compatíveis com a suavização na variação dos agregados macroeconômicos”, disse o comitê. As decisões do Copom buscam assegurar estabilidade de preços, mas também suavizar as flutuações da atividade.O comunicado da decisão destaca no entanto, que os modelos de projeções usando as diferentes trajetórias de taxa básica estão sujeitos a mais incerteza do que o usual. “Essas incertezas se somam ao cenário de choques de oferta, o que fundamenta a graduação, ao menos parcial, de seus efeitos sobre a dinâmica futura de preços”, disse o comitê.
Copom reduz taxa de juros pela 3ª vez seguida; Selic cai 0,25 ponto e vai a 14,25% ao ano
Decisão foi unânime e era esperada pelo mercado; juros já caíram 0,75 ponto desde março










