O Presidente da República, António José Seguro, defendeu esta quarta-feira que Portugal, Espanha e Itália “não têm de aceitar um lugar periférico” no novo mundo da inteligência artificial (IA), “uma das transformações mais profundas no trabalho desde a revolução industrial”.“O mundo está a assistir a uma corrida entre dois modelos de IA: o modelo americano, orientado para o mercado, e o modelo chinês, orientado para o controlo do Estado. A Europa tem uma outra via, orientada para o desenvolvimento, assente nos direitos e na democracia”, sustentou Seguro, no seu primeiro discurso enquanto chefe de Estado num simpósio da organização empresarial COTEC Europa, este ano celebrado na ilha de San Giorgio Maggiore, em Veneza, Itália.Numa edição, a 19ª, consagrada este ano ao tema Repensar o trabalho na era da IA: Transformação, Oportunidade, Governação, António José Seguro, que recebeu as boas-vindas à COTEC Europa por parte do rei Felipe VI de Espanha e do Presidente italiano, Sergio Mattarella, que há vários anos marcam presença neste encontro, focou muito a sua intervenção na necessidade de “governar a IA”, pois esta, defendeu, “não é neutra, nunca foi”.“Os sistemas de IA reproduzem os valores de quem os concebe, os dados com que são treinados, os incentivos de quem os financia. Quando esses valores são os da maximização do lucro sem critério ou os dos sistemas políticos que não prestam contas a ninguém, o resultado não é inovação ao serviço das pessoas, é inovação contra as pessoas”, disse.“Estamos aqui representantes de três democracias europeias. Três países com forte capital cultural, com tradições científicas sólidas, com sociedades que valorizam a coesão e a solidariedade. Não somos os maiores países, não somos os mais rápidos na adopção desta mudança, mas podemos ser os mais responsáveis. E a responsabilidade neste contexto não é uma limitação, é uma vantagem competitiva”, defendeu.De acordo com o Presidente da República, “Portugal, Espanha e Itália conhecem bem o valor da abertura ao mundo”, sendo “países atlânticos e mediterrânicos, países de circulação, de comércio, de cultura, de ciência e de indústria”, que devem reivindicar o seu espaço na transformação em curso.
Seguro defende que Portugal, Espanha e Itália não devem aceitar “lugar periférico” na revolução da IA
O Presidente da República defendeu que Portugal, Espanha e Itália têm “universidades, engenheiros, empresas, energia renovável, conectividade, capacidade industrial”, mas falta “coordenação e escala”.









