Líderes chegaram a consenso sobre a necessidade de diminuir dependência de poucos fornecedores de minerais críticos, bem como a vulnerabilidade das interrupções no abastecimento desses produtos Uma placa do G7 no gramado em frente ao local da Cúpula do G7 em Évian-les-Bains, França — Foto: Nathan Laine/Bloomberg Os líderes do G7 concordaram com uma meta para reduzir a dependência da China e limitar a participação de qualquer país a no máximo 60% das importações de terras raras até 2030, segundo reportagem da Bloomberg desta quarta-feira (17). Pessoas familiarizadas com as discussões disseram à agência que a cúpula do G7 realizada em Evian-les-Bains, na França, inclui planos para introduzir cotas obrigatórias para empresas de alguns setores industriais. De acordo com uma das fontes, os líderes presentes também se comprometeram a criar uma plataforma para unir esforços destinados a ampliar a oferta proveniente da reciclagem e de novos projetos de mineração. Para outros minerais críticos, no entanto, as lideranças firmaram o compromisso de definir metas específicas até o fim do ano. Apesar de a cúpula ter sido dominada pelo acordo entre EUA e Irã, assinado às vésperas das reuniões, as autoridades chegaram a um consenso sobre a necessidade de reduzir a dependência de poucos fornecedores de minerais críticos, bem como a vulnerabilidade das interrupções no abastecimento, e tornar as cadeias de suprimento mais resilientes, disseram funcionários do G7 à Bloomberg. Em depoimento a jornalistas, o primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, disse que seus homólogos e ele concordaram “em trabalhar ainda mais estreitamente juntos em matérias-primas críticas". No ano passado, as linhas de produção em todo o mundo foram ameaçadas após decisão da China de ampliar restrições às exportações da maioria dos minerais críticos e das terras raras. À época, autoridades consideraram que o episódio evidenciou a excessiva influência acumulada por Pequim por meio de seu quase monopólio sobre a oferta desses produtos. Além disso, em 2026, o gigante asiático aplicou ao Japão uma ampla restrição à exportação de produtos com aplicações civis e militares após um desentendimento entre os dois países em torno de Taiwan neste ano, ilha que Pequim considera parte de seu território. É a segunda medida deste tipo que a China impõe contra Hong Kong: em 2010, depois de uma disputa na fronteira marítima, o Japão já havia sofrido com a proibição de exportação de minerais críticos chineses. Apesar dos crescentes esforços de diversificação, reduzir a dependência da China será uma tarefa de longo prazo. Além de exigir grandes volumes de capital e conhecimento técnico, a criação de cadeias alternativas de suprimento esbarra no alto custo e no impacto ambiental da mineração e do refino de terras raras, setores nos quais Pequim mantém posição dominante. Relatório da Agência Internacional de Energia (AIE) publicado em 2025 mostrou que a China controlava cerca de 70% do mercado de processos de refino para a maioria dos minerais críticos, por exemplo, que o país asiático, além disso, produz 85% do cobalto processado e 99% do gálio primário.