Comentário veio após uma declaração conjunta de líderes que pode reforçar a crescente influência de Kiev em eventuais negociações de paz com Moscou O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e o presidente dos EUA Donald Trump apertam as mãos durante reunião à margem do 56º Fórum Econômico Mundial (FEM), em Davos, Suíça, em 22 de janeiro de 2026 — Foto: Serviço de Imprensa da Presidência da Ucrânia/Divulgação via REUTERS O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quarta-feira (17) a uma sala cheia de líderes mundiais ser “o chefe", enquanto ele e os demais líderes do G7 reconheceram a melhora da posição da Ucrânia no campo de batalha com uma promessa unificada de apoio e novas sanções contra a Rússia. O comentário de Trump durante a cúpula do Grupo dos Sete, realizada entre 15 e 17 de junho no balneário francês de Evian-les-Bains, veio após uma declaração conjunta dos líderes que pode reforçar a crescente influência de Kiev em eventuais negociações de paz com Moscou. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e seus aliados chegaram ao G7 esperando convencer Trump de que a reação militar da Ucrânia está produzindo resultados e de que a Rússia não está em posição de ditar os termos de um acordo de paz. A declaração conjunta e os comentários dos líderes sugerem que Trump se aproximou dos argumentos de Zelensky após anos de ceticismo. No entanto, qualquer esperança de pressionar Moscou a participar de negociações de paz ainda depende dos compromissos de Trump, que podem ser difíceis de obter. Não estava claro se ocorreria uma reunião bilateral entre Trump e Zelensky, e ainda resta saber se Washington permitirá que expirem as dispensas aplicadas às sanções que restringem as exportações russas de petróleo, agora que o presidente assegurou um acordo preliminar com o Irã. "Eu sou o chefe", disse Trump aos líderes do G7 e a jornalistas ao chegar para ocupar seu lugar em uma sessão sobre segurança econômica global, na qual os líderes discutiriam cadeias de suprimento de minerais críticos e desequilíbrios macroeconômicos. Na terça-feira, Trump elogiou uma reunião "muito boa" com Zelensky e outros líderes do G7. "Houve uma mudança de posição por parte dos Estados Unidos e do presidente Trump", disse o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, a jornalistas. "A posição está mais dura em relação à Rússia e, na nossa avaliação, mais realista em relação à situação da guerra no terreno." O presidente Donald Trump discursa enquanto o presidente francês Emmanuel Macron ouve durante uma reunião com o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy, em primeiro plano à esquerda, e líderes europeus no Salão Leste da Casa Branca, em 18 de agosto de 2025, em Washington — Foto: AP/Alex Brandon, arquivo Acordo de Trump com o Irã dá o tom das discussões Os líderes do G7 também saudaram o acordo preliminar de paz entre Estados Unidos e Irã, assinado por Trump na véspera da cúpula, e disseram estar prontos para contribuir com sua implementação. Eles afirmaram que buscarão diversificar as rotas de abastecimento energético para reduzir a dependência do Estreito de Ormuz, que o Irã bloqueou durante a maior parte de sua guerra com os Estados Unidos, além de aumentar os estoques. A França está pressionando os parceiros a assinarem uma declaração conjunta sobre minerais críticos que poderá incluir medidas para ajudar o Ocidente a reduzir sua dependência da China e proteger investidores de retaliações e práticas de dumping, disseram diplomatas. A China abalou a economia global no ano passado, quando alguns setores praticamente paralisaram após Pequim impor restrições às exportações de ímãs permanentes produzidos com terras raras. "Estamos negociando textos importantes sobre minerais críticos e, consequentemente, sobre soberania econômica", disse um funcionário da presidência francesa antes da cúpula. As medidas discutidas nos últimos meses incluíram mecanismos de sustentação de preços, padrões de mercado, subsídios e compras garantidas, além de formas de ampliar o investimento privado em cadeias de suprimento de minerais críticos fora da China. Quaisquer medidas anunciadas pelo G7 provavelmente serão apenas os primeiros passos. Embarcações no Estreito de Ormuz , vistas de Musandam, Omã, 16 de junho de 2026 — Foto: REUTERS/Stringer Dependência excessiva da China As restrições impostas em 2025 foram o episódio mais recente do endurecimento gradual de Pequim sobre as exportações de materiais estratégicos e metais usados em baterias. A China também restringiu o acesso de empresas americanas ao tungstênio e ao antimônio, entre outros produtos. As potências ocidentais correm para garantir contratos de compra junto a minas e ampliar a capacidade de processamento e reciclagem, mas serão necessários anos para reduzir a posição dominante da China, construída ao longo de décadas. Os Estados Unidos propuseram no início de 2026 a criação de um bloco comercial para minerais críticos. No entanto, os países divergem sobre a forma como esse bloco poderia funcionar, especialmente no contexto da agenda "América em Primeiro Lugar" da Casa Branca. Os líderes do G7 também discutiriam formas de reequilibrar o comércio global e enfrentar a "concorrência predatória", principalmente da China. A França resume os desequilíbrios da seguinte forma: "A China produz demais, os Estados Unidos consomem demais e os europeus investem de menos." A preocupação cresce na Europa com o superávit comercial da China e sua ascensão na cadeia de valor, no que analistas descrevem como um "segundo choque chinês", após sua predominância em setores de baixo valor agregado nos anos 2000. O superávit está em 360 bilhões de euros (US$ 400 bilhões). O presidente francês, Emmanuel Macron, tentou se aproximar da China antes da cúpula, em um esforço de última hora por cooperação. Pequim rejeita as acusações da União Europeia sobre subsídios injustos e tem prometido repetidamente "fortes" contramedidas contra a proposta europeia de "Comprar Europeu" e as novas regras de soberania tecnológica. Separadamente, líderes da União Europeia planejam debater medidas mais duras de defesa comercial e um uso mais sistemático desses instrumentos contra o aumento das importações chinesas durante uma cúpula em Bruxelas, na quinta-feira. Os líderes do G7 também discutiriam inteligência artificial durante o almoço desta quarta-feira, incluindo a responsabilidade de robôs e agentes de IA e a forma como a tecnologia apresenta a verdade e a falsidade. O fundador da OpenAI, Sam Altman, e o presidente-executivo da Anthropic, Dario Amodei, eram esperados no encontro.