O segundo dia da cimeira do G7 — que junta os líderes do Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos e da União Europeia na cidade termal de Évian-les-Bains (França) — foi quase inteiramente dedicado à Ucrânia. Com Volodymyr Zelensky presente, a convite do anfitrião, Emmanuel Macron, os líderes europeus tentaram convencer Donald Trump a interceder para acabar com o impasse causado por quatro anos de guerra.Aproveitaram o momento em que a Administração norte-americana parece estar menos ocupada com a própria guerra no Médio Oriente, depois do acordo com o Irão anunciado no domingo. Sobre esse tópico, o próprio Donald Trump tentou transmitir, nesta terça-feira, que não há dúvidas de que vai para a frente, mesmo que o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, não se comprometa com o fim dos ataques ao Líbano.Os líderes europeus presentes instaram Trump a agendar uma conversa entre Putin e Zelensky com vista à paz. O Presidente norte-americano pareceu concordar com a ideia, a avaliar pelo que disse publicamente depois dos encontros bilaterais com os líderes dos Emirados Árabes Unidos e do Qatar: apesar de lamentar a “grande antipatia” entre os líderes ucranianos e russos, prometeu fazer o que puder.Parece ser o resultado de uma reunião a três entre Macron, Zelensky e Trump, que não estava na agenda oficial e que acabou por atrasar a manhã dos líderes europeus presentes em França. Para Zelensky, foi a primeira reunião cara a cara oficial com Trump em meses — e difícil de marcar, a avaliar pelos comentários de Macron, apanhado com o microfone ligado, que referiu uma segunda-feira tensa entre os dois —, e aproveitou-a.De acordo com algumas fontes diplomáticas que falaram com a Reuters, Zelensky mostrou algumas fotografias da destruição ao mosteiro ortodoxo de Pecherskaya Lavra, um monumento milenar de Kiev, causada por um ataque russo na madrugada de segunda-feira. Resultou: Trump mostrou-se desagradado com a destruição e foi uma escolha “psicologicamente” acertada para Zelensky.Foi uma “boa reunião”, disse Trump no fim. Saiu convencido de que “a Rússia deve fazer um acordo”: “Vou fazer tudo o que puder [para acabar com a guerra].”E, apesar dos receios, na manhã deste segundo dia de cimeira do G7, de que Trump pudesse vir a ajudar a Rússia a contornar as sanções que lhe estão a ser aplicadas, o Presidente norte-americano veio afirmar que está disposto a retomar as sanções sobre o petróleo russo, aliviadas de forma temporária para conter as consequências do encerramento do estreito de Ormuz, “agora que o petróleo voltou a fluir”. Outros membros do G7 discutiram a necessidade de mais sanções contra a Rússia, incluindo mais navios da lista da frota fantasma russa e atingindo os sectores da banca e militar.Em conjunto, concordaram que “a maré está a mudar para o lado da Ucrânia”, resumiu a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, numa publicação no X. “A fadiga da Rússia está à vista. Chegou a hora de aumentarmos o nosso apoio”, concluiu. De acordo com um diplomata francês, que falou com a Reuters, os líderes comprometeram-se a dar mais capacidades de defesa aéreas a Kiev.Zelensky revelou que Trump respondeu de forma “muito positiva” a um pedido de mais mísseis, e agradeceu aos líderes do G7 pelas “ideias fortes sobre como forçar a Rússia à paz”. “A Rússia tem de aprender que a guerra nunca vai ser normalizada”, escreveu numa mensagem nas redes sociais.Do Kremlin, chega a certeza de que não houve ainda nenhum convite para um encontro com Zelensky e que não há actualmente nenhum canal de comunicação aberto entre Kiev e Moscovo. A possibilidade de uma conversa entre os líderes ucraniano e russo também não foi levantada na última conversa com Trump, que revelou que falou com Putin no domingo.São más notícias para Moscovo e chegam numa altura sensível para o Kremlin: as notícias da reabertura do estreito de Ormuz e da queda do preço do petróleo têm um impacto directo na sua capacidade económica. A isso, juntam-se os ataques directos da Ucrânia contra a infra-estrutura energética. Ainda hoje, foi desferido um ataque a uma refinaria nos arredores de Moscovo que afectou 50% da sua capacidade produtiva.