Conforme relatório da PF, o grupo “A turma”, qualificado como “quadrilha”, se infiltrou em companhias telefônicas, órgãos da Justiça, Ministério Público, polícia e outras instituições públicas e privadas O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, usou seus dois grupos de intimidação, coerção e invasões hacker contra o ex-marido de sua então namorada e o chefe de cozinha e o comandante de seu iate de luxo. Vorcaro chegou a afirmar que investiria R$ 10 milhões em uma ação que forjaria um flagrante de apreensão de drogas para “dar uma lição” no ex-jogador de basquete e DJ libanês Ronald Fred Seikaly, ex-marido da influenciadora brasileira Martha Graeff. As informações estão em relatório da Polícia Federal tornado público nesta terça-feira (16) por decisão do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). Conforme o relatório da PF, o grupo “A turma”, de Vorcaro, que é qualificado como “quadrilha”, se infiltrou em companhias telefônicas, órgãos da Justiça, Ministério Público, polícia e outras instituições públicas e privadas “para que tenham acesso a dadas cadastrais de pessoa física ou jurídica, alvarás de autorização de monitoramento telefônico, dados de procedimentos criminais diversos, inquéritos e outras procedimentos administrativos.” Segundo o relatório, Vorcaro pediu, em outubro de 2024, que os integrantes do grupo “A turma”, que era comandado por Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário”, que se matou após ser preso pela PF em Belo Horizonte (MG), contratassem pessoal para seguir o DJ libanês em Miami e atraíssem Seikaly ao Rio de Janeiro para “ameaçá-lo e intimidá-lo pela milícia e polícia.” Além disso, ordenou que o grupo “acionasse o amigo da Interpol.” Vorcaro queria se vingar de uma suposta desavença do ex-marido da então namorada com um de seus filhos. O ex-banqueiro disse, conforme a PF, que queria que o DJ “aprendesse que com seu filho não se mexe.” O ex-banqueiro diz, de acordo com o relatório, que “seria interessante dar um pulão nele” quando ele chegasse ao Brasil.” O grupo, então, forjou um ofício do Ministério Público Federal à Interpol, citando suposto inquérito policial instaurado pela Polícia Federal em Roraima sobre pedofilia. De acordo com a PF, o inquérito citado no ofício falso nada tem a ver com o tema ou com o libanês. Seikaly tem 61 anos e foi jogador da NBA por 11 anos, com passagens por times como Miami Heat, New Jersey Nets e Golden State Warriors. Ele tem uma filha com influenciadora brasileira. A PF afirma no relatório que não conseguiu identificar “o amigo da Interpol” e também se o ofício falso foi de fato enviado à polícia internacional. Já o chefe de cozinha e o comandante de seu iate, o “Solar I”, foram abordados e ameaçados pelo grupo “A turma”, por terem supostamente filmado situações comprometedoras na embarcação com a participação de Vorcaro. Primeiro, um grupo de sete homens foi à Marina Bracuhy, em Angra dos Reis, no Rio, em junho de 2024, ameaçar Luis Felipe Woyceichoski, comandante do iate na época. Depois, o mesmo grupo, que incluía a presenta de “Sicário”, foi a um hotel no município onde Leandro Garcia trabalhava para “intimidar o ex-chefe de cozinha.” Ele passou a trabalhar no local depois de pedir demissão da empresa que prestava o serviço de pessoal para o iate de Vorcaro. A determinação de Vorcaro era fazer um “levantamento de tudo”, inclusive de familiares dos dois, e “ir pra cima.” Segundo o comandante afirmou à PF: “Sete milicianos, estou com as filmagens do barco, eles estiveram aqui, foram no meu condomínio. Me ameaçaram de morte. A mim e a minha família.” Woyceichoski afirmou que realizava” registros de imagem e em diário de bordo sobre situações que colocavam em risco a integridade da embarcação e de passageiros.” De acordo com o comandante do barco, um dos integrantes do grupo disse que “mexia com jogo do bicho”, e que poderia chegar na casa dele com as armas, pois “sabia que sua mulher e filhos estavam lá.” Ele contou que, “diante desse cenário, precisou ‘sair corrido’ de Angra dos Reis com sua família e que chegou a abandonar pertencentes pessoais dentro do apartamento.” Uma testemunha contou à PF que o grupo chamou a atenção quando chegou à marina em três veículos e com seus integrantes vestidos como paramilitares, com calça preta e coturno. Procurada pelo Valor, a defesa de Daniel Vorcaro não respondeu até o momento. Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, está preso desde março sob acusação de fraudes financeiras — Foto: reprodução