Informações constam de inquérito que investiga grupo contratado pelo banqueiro para intimidar desafetos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Embarcação Benetti Oasis 40M, modelo que era utilizado por Vorcaro em Angra dos Reis — Foto: Reprodução/ Site Prime You RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/06/2026 - 16:08 Marinheiro revela ameaças e irregularidades em iate de banqueiro O marinheiro Luis Felipe Woyceichoski relatou à Polícia Federal irregularidades e ameaças durante festas no iate de Daniel Vorcaro, parte da Operação Compliance Zero. Ele testemunhou sobre taças caras quebradas e mancha de bronzeador no estofado, enquanto era pressionado por "A Turma", grupo que intimidava desafetos do banqueiro. Vorcaro e Manoel Rodrigues, líder do grupo, estão presos por possíveis ameaças. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O marinheiro Luis Felipe Woyceichoski disse em depoimento à Polícia Federal que foi ameaçado por um integrante do grupo “A Turma” após registrar uma série de irregularidades ocorridas durante os passeios de barco do banqueiro Daniel Vorcaro. Entre as violações, estavam a quebra de taças que valiam cerca de mil reais, a colisão do jet skis com a popa do barco e a mancha de bronzeador nos estofados brancos. Segundo ele, o intuito era avisar a empresa responsável pela embarcação para evitar que a tripulação saísse como culpada pelos danos após a presença de Vorcaro e seus convidados. Além disso, o ex-comandante também relatou a falta de uso de equipamentos de proteção pessoal durante as viagens, o que poderia causar problemas com a fiscalização da Marinha. Piloto de barco relata ameaça de grupo de Vorcaro Woyceichoski pilotou por um ano e sete meses o Solar, um iate Benetti Oasis de três andares e 40 metros (ou 133 pés) que era utilizado exclusivamente por Vorcaro na baía de Angra dos Reis (RJ), na Costa Verde. Ele foi demitido do emprego em julho de 2024 depois que registrou as questões “operacionais” de “uso inadequado da embarcação”. — No caso do uso do jet ski por uma convidada do Daniel (Vorcaro). Ela colidiu de forma leve na popa da embarcação, retornou e bateu na escada. Aí eu peguei e fiz um take (foto) desse momento. Outro (episódio): taças muito caras, de vinho, espumante, marcas renomadas. Taças que valem mais de mil reais eram colocadas dentro d'água. Quando ligava o hidrojato, as taças quebravam. Dez taças, R$ 10 mil — relatou o marinheiro. No depoimento, o marinheiro afirmou que foi contratado em 2023 para acompanhar a finalização da construção do barco na Itália, trazê-lo ao Brasil, treinar a tripulação e comandar as viagens. Segundo ele, Vorcaro era a única pessoa que utilizava o barco, às vezes com a família, às vezes com outros convidados. — Por exemplo: as mulheres passavam bronzeador e se deitavam no estofado próximo à piscina. Ficava manchado. Então, a gente ficava preocupado. Daqui a pouco, a esposa do cara chega para mim e fala: “Pô, quem usou esse estofado?” Eu ficava numa condição super constrangedora — descreveu o ex-funcionário de Vorcaro. Ele acrescentou que registrava os episódios, o que gerou problemas: — Eu fazia o diário de bordo: ausência de dez taças, de colher de prata. Isso começava a recair sobre nós (tripulação). No começo vinha a desconfiança. Foi posteriormente depois de uma reunião dessa que eu recebi a primeira ameaça. Segundo o depoimento, em junho de 2024, homens mal encarados vestidos como “paramilitares” chegaram numa das marinas de Angra atrás dele. Como naquele dia ele estava em São Paulo, o líder do grupo identificado como Manoel telefonou para ele e fez as ameaças, dizendo que poderia ter feito uma visita na casa dele” com armas” e sabia detalhes da rotina. — Ele (Manoel) começou a esboçar para mim de forma muita intimidatória que sabia quem eu tinha sido, que tinha me visto no centro de Angra, horário em que eu entrava, que eu estava com a minha mulher e que tinha sido agente prisional em Goiás — disse o marinheiro. Um mês antes desse episódio, Vorcaro mandou mensagens a um interlocutor explicando porque queria um levantamento de informações sobre o comandante da sua embarcação em Angra. A conversa foi interceptada pela PF. "Cara, capitão (do) meu barco fez uma gravação minha. Vamos ter que sentar com ele. Ele foi policial. Então, é metido a besta", escreveu Vorcaro. Um mês depois da ameaça, o ex-comandante foi demitido do emprego e contou que se retirou imediatamente de Angra dos Reis, após ser avisado que era “melhor deixar a cidade”. —Tive que sair correndo de Angra dos Reis. Nós abandonamos muita coisa lá no apartamento. Liguei para um parente, jogamos tudo dentro do carro, e voltei direto para o sul — afirmou Woyceichoski. No depoimento à PF, ele ainda disse que não fazia sentido receber ameaças por causa de problemas "operacionais" na embarcação. — O único jeito de confirmar (a história) era chegar para o Daniel (Vorcaro) e perguntar: pô, você mandou fulano vir para cá por causa de uma coisa técnica que eu estava constantemente reportando. Bebedeiras, pô, coisas sem freio, e você ameaça a mim e a minha família por conta disso — disse o marinheiro. Os relatos foram dados à Polícia Federal no contexto da Operação Compliance Zero, que apurou que Vorcaro mantinha um grupo chamado “A Turma”, formado por operadores do jogo do bicho, policiais federais e hackers. Eles tinham a função de levantar informações sobre desafetos de Vorcaro, vigiá-los e intimidá-los, além de fazer a segurança de encontros promovidos pelo banqueiro. Além do piloto, receberam a visita da Turma um ex-chefe de cozinha de Vorcaro. Segundo as investigações, eles andavam em carros blindados, portavam armas e usavam roupas de paramilitares. Conforme a PF, o “Manoel” que ameaçou o ex-comandante do iate foi Manoel Mendes Rodrigues, que declarou ao marinheiro ser "empresário informal", "mexer com o jogo do bicho" e ter policiais federais à sua disposição. Ele estava na folha de pagamento dos operadores financeiros do banqueiro e seria o líder do grupo no Rio. Manoel Rodrigues e Daniel Vorcaro se encontram atualmente presos preventivamente por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso Master na Corte. Uma das razões que levou à detenção deles é a suspeita de que eles ameaçavam pessoas que contrariavam os interesses do banco do Master.
Colisão de jet ski, ameaças e bronzeador no estofado: marinheiro relata detalhes de festas de Vorcaro em iate; veja vídeo
Informações constam de inquérito que investiga grupo contratado pelo banqueiro para intimidar desafetos









