A Polícia Federal (PF) prendeu nesta quinta-feira (14) Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, na sexta fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes relacionadas ao Banco Master. As investigações apontam que Henrique seguiu pagando integrantes do núcleo criminoso “A Turma”, voltado a ameaçar desafetos e obter dados sigilosos, mesmo após a PF ter feito duas operações contra o ex-banqueiro e seus aliados. Com isso, já chegam a três os familiares de Vorcaro detidos pela PF enquanto ele tenta negociar um acordo de delação premiada. A proposta do ex-banqueiro, que está preso desde março, foi considerada frágil pelos investigadores e pode até ser rejeitada. Antes do pai, a corporação prendeu, nas fases anteriores, o primo Felipe Vorcaro e o cunhado Fabiano Zettel, apontado como operador financeiro do ex-banqueiro. Henrique foi detido em Belo Horizonte e, segundo as investigações, era “demandante, beneficiário e operador financeiro” do núcleo criminoso “A Turma”, sendo um dos responsáveis por enviar R$ 400 mil mensais ao grupo. Os repasses teriam seguido mesmo após a segunda fase da Compliance Zero, segundo a investigação. A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta fase da investigação, a PF aponta que o pai de Vorcaro atuava junto com o filho demandando serviços ilícitos dos grupos criados para perseguir e atacar desafetos. De acordo com a decisão, o pai do ex-banqueiro seguiu demandando serviços irregulares até fevereiro deste ano. O ministro, contudo, não deixa claro quais seriam esses serviços. Henrique já havia sido mencionado em fases anteriores da investigação. Segundo a PF, Daniel Vorcaro teria desviado dinheiro de fraudes cometidas no mercado financeiro para grupos empresariais e fundos ligados a seus familiares. De acordo com Mendonça, como integrantes do grupo “A Turma” seguiam atuando, inclusive se reunindo com Henrique Vorcaro, a prisão era necessária para interromper as atividades criminosas. Também foi revelada a atuação de um segundo grupo, que existia em paralelo, chamado “Os Meninos”, formado por hackers e que atuavam com ataques virtuais contra desafetos do ex-banqueiro. Segundo a decisão de Mendonça, eles teriam “conseguido derrubar perfis de rede social de pessoas críticas ao grupo, utilizando-se, em outras frentes, de expedientes tecnológicos voltados ao monitoramento telemático e à invasão de dispositivos ou contas”. Esta fase foi a primeira também a atingir integrantes da própria PF que teriam ajudado a milícia privada de Vorcaro. Foi preso um agente da corporação e afastada uma delegada que atuava na PF em Minas Gerais. Eles são suspeitos de consultarem os sistemas internos da corporação para vazar informações de interesse de Vorcaro e seu pai. A investigação identificou, por exemplo, que a delegada lotada em Minas consultou um inquérito sigiloso que tramitava em São Paulo sobre o pai de Vorcaro. Em relação ao agente preso, trocas de mensagens indicam que ele recebia várias demandas de integrantes da “Turma” para levantar informações e repassava os dados a eles. Mendonça determinou que a delegada afastada não tenha mais contato com integrantes da ativa e aposentados da corporação e também fique proibida de acessar os sistemas da PF. Ao todo, o ministro do STF determinou a prisão de sete investigados e a realização de buscas em 17 endereços em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Apenas quatro mandados de prisão haviam sido cumpridos até o começo da tarde. O advogado de Henrique Vorcaro, Eugênio Pacelli, afirmou em nota que a “decisão se baseia em fatos cuja comprovação da respectiva licitude e o lastro de racionalidade econômica ainda não estão no processo”. “E não estão porque não foram solicitados à defesa e nem a ele. O ideal seria ouvir as explicações antes de medida tão grave e desnecessária”, acrescenta na nota. Em relação às menções a Henrique Vorcaro na segunda fase da operação, o advogado classificou como “uma grande alucinação” e “delírio absurdo” e disse que já peticionou ao STF explicando a situação. Segundo ele, o empresário tinha, na verdade, um fundo com uma expectativa de receita de um empreendimento. “É um ativo que nunca teve liquidez, nunca foi comercializado com ninguém. É expectativa de valor de empreendimento que seria realizado em relação a créditos de carbono, isso nunca aconteceu, houve prejuízo por parte de Henrique e é inadmissível que se fale em desvios de recurso de Master, não tem nada a ver uma coisa com a outra”, afirmou o advogado ao Valor. Henrique Vorcaro e seu filho, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master — Foto: Reprodução/g1
PF prende pai de Vorcaro como beneficiário e operador financeiro de núcleo criminoso ‘A Turma’
Henrique Vorcaro teria mantido pagamentos mensais de R$ 400 mil a grupo que ameaçava desafetos do ex-banqueiro, mesmo após fases iniciais da Compliance Zero










