No mês de abril, eram 239 lojas ativas, sendo 195 próprias e 44 franquias. O atual CEO da empresa é Fabio Farina O Dia Supermercados informou nesta terca-feira (16) o encerramento do seu processo de recuperação judicial, iniciado em março de 2024 — é a segunda grande cadeia varejista que solicita pedido de encerramento da ação. A Americanas fez o pedido em março, e continua sob análise da Justiça. A decisão favorável à rede de supermercados foi homologada pela 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo, após a comprovação do cumprimento integral, dentro do período legal, das obrigações previstas no plano aprovado pelos credores. Apesar desse cenário, a empresa dá prejuízo acumulado e tem margem operacional negativa, embora as vendas cresçam acima da inflação. No mês de abril, eram 239 lojas ativas, sendo 195 próprias e 44 franquias. O atual CEO da empresa é Fabio Farina. Em março de 2026, o Grupo Dia faturou R$ 153,5 milhões, alta de 7% frente a março de 2025, porém teve vendas líquidas de R$ 1,7 bilhão no ano passado, um recuo de 19% sobre os R$ 2,1 bilhões de 2024. No acumulado de 2025, a rede teve um prejuízo de R$ 376 milhões. Em 2026, até março, foram quase R$ 50 milhões de perdas, com margem líquida negativa de 11% — no ano de 2025, esse índice era negativo em 22%. A margem bruta atingiu 20% em março, versus 17% no acumulado de 2025. Em termos de patrimônio líquido, eram R$ 258 milhões no ano passado, inferior aos R$ 311 milhões de 2024, reflexo dos prejuízos acumulados que afetam essa linha, para um total de passivo circulante e não circulante de R$ 1,3 bilhão ao fim de 2025. Todas essas informações constam do informe mensal anexado ao processo e consultado pela reportagem. Com base nos dados da ação judicial, para o efetivo encerramento do efeito da recuperação, restava pendente em maio a apresentação, pela empresa, de informações aos credores sobre a documentação relativa às compensações de débitos concursais com créditos oriundos de bonificações dos credores. A empresa diz em nota que, inicialmente previsto para outubro de 2026, quando o processo judicial completaria dois anos, o encerramento da supervisão judicial foi antecipado em razão do cumprimento de compromissos estabelecidos no processo de reestruturação da companhia. A operação brasileira da rede de supermercados Dia entrou em com um pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) por conta de uma dívida total de R$ 1,1 bilhão — deste montante, R$ 268 milhões eram passivos com bancos. Fornecedores eram os principais credores do grupo. O Dia (da sigla Distribuidora Internacional de Alimentación) era controlado até 2024 por um grupo espanhol com vendas anuais de cerca de 7 bilhões de euros (R$ 36 bilhões) no mundo. Só que a operação estrangeira estava muito alavancada e uma das decisões dos controladores era sair de determinados negócios, e entre eles deixar a atividade no Brasil. Com isso, foi negociada a venda da operação por valor simbólico para um grupo de investidores locais, mas manteve-se a marca. O investidor Maurício Quadrado, no passado ligado ao Banco Master, apresentou o projeto da rede Dia ao investidor Nelson Tanure, dentro da ideia de unir a empresa ao GPA, e Tanure decidiu entrar na operação na segunda metade de 2024. A intenção seria criar uma “corporation” de varejo alimentar, mas o plano nunca avançou porque acabou interrompido depois que os Coelho Diniz e Ronaldo Iabrudi ampliaram suas posições acionárias no GPA, em 2025. No fim das contas, o grupo Dia foi mantido sob controle pelo fundo Lyra II FIP Multiestratégia, cuja criação foi viabilizada pela MAM Asset, gestora da empresa de investimentos de Quadrado, Até o momento, os dados do fundo Lyra presentes no processo não mostram mudanças no controle da operação. No começo deste ano, o Valor noticiou dificuldades que a rede teve com uma aplicação em CDBs, que teria afetado, inclusive, o processo de saída da empresa da crise financeira. A varejista vinha sendo questionada pela sua administradora judicial sobre investimentos em CDBs de uma instituição ligada ao Banco Master, pelo alto risco da operação, antes de decretada a liquidação judicial da instituição. A rede manteve os recursos aplicados, sem solicitar resgate, até o mês de outubro de 2025, quando já havia uma crise instaurada e uma corrida para venda desses papéis no mercado secundário com deságios de mais de 70%. A administração judicial vinha alertando, entre o fim de 2025 e começo de 2026, em reuniões presenciais, sobre o risco à liquidez da rede com o não recebimento dos CDBs. Pela situação atual, foi dado baixa no investimento e obtida uma parcela apenas do capital investido. O Dia Brasil reconheceu em suas demonstrações contábeis a perda de R$ 116,6 milhões referentes aos precatórios cedidos e R$ 50 milhões referentes ao saldo que seria recebido em dez parcelas, diz a administradora judicial em relatório mensal das atividades da empresa. Mtrincado do Dia — Foto: Divulgação