Parlamentares fizeram o pedido após investigação da Reuters, publicada no mês passado, concluir que a fabricante de veículos elétricos exagerou em suas alegações de segurança Dois senadores dos Estados Unidos estão pedindo ao órgão regulador de segurança viária do país que examine as estatísticas de acidentes divulgadas pela própria Tesla para seu sistema de assistência ao motorista “Full Self-Driving” (FSD), após uma investigação da Reuters, publicada no mês passado, concluir que a fabricante de veículos elétricos exagerou em suas alegações de segurança. Os senadores democratas Edward Markey, de Massachusetts, e Richard Blumenthal, de Connecticut, enviaram uma carta à Administração Nacional de Segurança no Tráfego Rodoviário dos Estados Unidos (NHTSA, na sigla em inglês) na segunda-feira (15), citando a reportagem da Reuters e afirmando que a análise que fundamenta as estatísticas de segurança do FSD da Tesla é “frágil e enganosa”, criando “um problema urgente de segurança”. A carta solicita que a NHTSA responda até 7 de julho a uma série de perguntas, incluindo se a agência avaliou as alegações de segurança do FSD da Tesla ou solicitou os dados de acidentes que embasam essas alegações. Os senadores também pedem que a NHTSA fortaleça as exigências de reporte para empresas que utilizam tecnologia de condução autônoma ou sistemas avançados de assistência ao motorista, como o FSD da Tesla, afirmando que a agência não tem como saber se “as alegações públicas sobre segurança têm alguma relação com a realidade”. Leia mais: A Tesla e a NHTSA não responderam a pedidos de comentário. A análise da Reuters no mês passado concluiu que o diretor-presidente da Tesla, Elon Musk, e outros executivos vêm citando cada vez mais, ao longo do último ano, estatísticas que, segundo eles, comprovam que o FSD é até dez vezes mais seguro do que motoristas humanos. Pesquisadores entrevistados pela Reuters afirmaram que a Tesla exagera a segurança da tecnologia ao comparar a taxa de acidentes envolvendo veículos da marca operando com o FSD e que acionaram os airbags com a taxa geral de acidentes nos Estados Unidos, que inclui ocorrências muito menos graves. A empresa também compara seus veículos com a média da frota americana, que é significativamente mais antiga do que a média dos carros da Tesla. Isso distorce os resultados porque as montadoras introduziram gradualmente novos recursos de segurança que reduzem o número de acidentes. A Tesla também apresentou esses dados inflados de segurança a reguladores europeus em seus esforços para obter a aprovação do FSD na União Europeia, informou a Reuters no início desta semana. — Foto: Michel Euler/AP