Ex-premier governou o país por 16 anos consecutivos até ser derrotado nas eleições de abril pelo partido Tisza, que conquistou maioria de dois terços no Parlamento, suficiente para alterar a Constituição 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Viktor Orbán, ex-primeiro-ministro da Hungria — Foto: PAUL ELLIS/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 16/06/2026 - 16:01 Hungria aprova limite de mandato para PMs, afetando Orbán O Parlamento da Hungria aprovou uma emenda constitucional limitando o mandato de primeiros-ministros a oito anos, impedindo o retorno de Viktor Orbán ao cargo. Orbán governou por 16 anos até ser derrotado pelo partido Tisza. A mudança, apoiada por Péter Magyar, visa reformar o sistema político e fortalecer laços com a UE e a Otan. A medida ainda aguarda a assinatura do presidente para vigorar. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Parlamento da Hungria aprovou nesta terça-feira uma emenda constitucional que limita o mandato de primeiros-ministros a oito anos. A mudança foi uma promessa do atual premier, Péter Magyar, e impede que Viktor Orbán, seu antecessor, volte a ocupar o cargo. Orbán governou o país por 16 anos consecutivos até ser derrotado nas eleições de abril pelo partido Tisza, que conquistou maioria de dois terços no Parlamento, suficiente para alterar a Constituição. Pela nova regra, porém, nenhum primeiro-ministro desde 1990 poderá exercer mais de dois mandatos, mesmo que os períodos não sejam consecutivos. A emenda foi aprovada por 135 votos a 50 e agora depende apenas da assinatura do presidente Tamás Sulyok para entrar em vigor. O partido Fidesz, liderado por Orbán, votou contra a medida. O ex-primeiro-ministro criticou a decisão, afirmando que o governo Tisza está no poder há apenas um mês e não deveria planejar permanecer por oito anos. Já seu ex-diretor político, Balázs Orbán, acusou o governo de usar o poder para "excluir um adversário da disputa democrática". A vitória de Magyar nas eleições húngaras em meados de abril trouxe enorme alívio à União Europeia, que havia sido obrigada a lidar durante 16 anos com o nacionalista Orbán, um primeiro-ministro próximo a Vladimir Putin e Donald Trump que bloqueou inúmeras iniciativas de apoio à Ucrânia. Quem é Péter Magyar? Magyar é um antigo aliado de Orbán que se tornou o principal oponente do líder nacionalista nos últimos anos. Pouco antes de ganhar destaque, em 2024, após um escândalo envolvendo o perdão de abusos contra crianças, o advogado disse à AFP que era chamado de "eterno opositor" dentro do partido do ex-pimeiro-ministro. Hábil comunicador, tanto nas redes sociais quanto em campanhas, o conservador agora promete mudança, desmontando "tijolo por tijolo" todo o sistema político de Orbán. Quem conhece Magyar afirma que ele é temperamental e um perfeccionista que exige o melhor de todos, mas que aceita pedir desculpas. Magyar prometeu combater a corrupção, melhorar serviços públicos como a saúde e impulsionar reformas para desbloquear bilhões de euros em fundos da União Europeia para a Hungria. No plano internacional, prometeu transformar o país em um sócio confiável da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e da UE e ser crítico em relação à Rússia, ao contrário de Orbán. Assim como Orbán, Magyar se recusa a enviar armas à Ucrânia e se opõe a uma integração acelerada na UE, mas rejeita a retórica hostil da Rússia em relação a Kiev. Em relação à pauta anti-imigração, sua postura é mais rígida que a de Orbán ao prometer encerrar o programa governamental de trabalhadores convidados. No entanto, sua visão sobre os direitos da população LGBTQIA+ tem sido vaga, embora defenda a igualdade perante a lei.