Péter Magyar, novo primeiro-ministro da Hungria, tomou posse do cargo afirmando que vai "pôr fim a décadas de deriva" no país europeu. Após 16 anos no poder, Viktor Orbán foi derrotado nas urnas e, no último sábado (9), deu lugar ao líder conservador de centro-direita.

Rodeado por acusações de instrumentalização da máquina governamental, aparelhagem da imprensa estatal e promoção de políticas autoritárias e antidemocráticas, Orbán sai do poder tendo afastado o governo húngaro da União Europeia e, em contrapartida, mais próximo do russo Vladimir Putin.

Agora à frente do que chamou de uma mudança de sistema, Magyar terá de lidar com uma economia que apenas começou a sair da estagnação no primeiro trimestre e que enfrenta novos desafios, com a disparada dos custos de energia provocada pelo conflito no Oriente Médio, fator que pode atingir de forma dura a Europa, dependente de importações.

Dados divulgados na última sexta-feira (8) mostram que o déficit orçamentário da Hungria havia atingido 71% da meta anual somente até abril, impulsionado pelos gastos pré-eleitorais de Orbán.

O premiê de ultradireita viu seu apoio popular se corroer nos últimos anos. O país ostenta a maior inflação da Europa desde a pandemia de coronavírus, em 2020, tendo acumulados 58%, mais que o dobro da registrada na média da União Europeia, 28%.