Estive apenas uma vez em Dublin. Em 2004.

Ficamos, eu e a Sandra, poucos dias na cidade. A grana era curta, afinal. Mas uma das coisas que a gente fez foi ir a uma casa antiga no centro da cidade, que tinha sido convertida em centro cultural, onde pudemos ver umas exposições temporárias meio chumbregas, reproduções de pinturas, cartazes etc.

Só que num outro andar da casa, perto de onde ficava o café, havia algo mais interessante. Encostada numa parede, outra parede. Um arco inteiro de tijolos recortados, que emoldurava… uma porta.

Uma porta inteira, de madeira, com um número sete metálico marcando o endereço e uma vidraça semicircular no topo, que, quando havia casa ali, deixava ver a luz que viesse de dentro.

Essa porta (e seu contorno de tijolos) foi arrancada de uma daquelas fachadas contínuas de tijolinhos, tão tipicamente britânicas, de casas emendadas que eles chamam de "terraces", onde uma quadra inteira é ladeada por essa muralha de tijolos expostos, casinhas geminadas de dois ou três andares, que se diferenciam umas das outras apenas pelo número e, muitas vezes, pelas cores vibrantes de suas portas.