O ex-diretor do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, alertou ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro que o mercado financeiro jogava a chamada "emenda Master", que ampliaria de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura de investimentos garantidos pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos), na conta do dono do conglomerado e do então presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto.

A proposta de aumento da cobertura do FGC foi apresentada em 2024 pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), mas acabou rejeitada. Como mostrou a Folha, de acordo com a investigação, o parlamentar reproduziu na íntegra texto produzido pelo Banco Master.

A instituição de Daniel Vorcaro tinha como estratégia vender CDBs (Certificados de Depósito Bancário) com alta remuneração, usando a cobertura do FGC como atrativo. O objetivo era aumentar a captação de dinheiro por meio desse instrumento, o que poderia dar uma sobrevida à instituição.

Segundo análise do material apreendido pela Polícia Federal, Vorcaro demonstrava expectativa quanto à aprovação da medida, indicando interesse nos impactos positivos sobre o banco. Em trecho de conversa via WhatsApp no dia 13 de agosto de 2024, o ex-diretor jurídico do banco Luiz Rennó disse: "Vc [sic] sextuplica seu negócio. Bora".