Desembargador assumiu o cargo temporariamente após renúncia de Cláudio Castro Governador em exercício do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto — Foto: Divulgação/Eliane Carvalho Governador em exercício do Rio, o desembargador Ricardo Couto defendeu sua continuidade no cargo, mas afirmou não ter qualquer pretensão política ou eleitoral. Durante um encontro com empresários, na zona sul do Rio, nesta terça-feira (16), ele disse que o Supremo Tribunal Federal (STF) privilegiou a estabilidade ao decidir pela sua manutenção à frente do Executivo estadual. No fim de maio, o ministro do STF Luiz Fux rejeitou o pedido para que o deputado estadual Douglas Ruas (PL), eleito presidente da Assembleia Legislativa e pré-candidato no pleito de outubro, assumisse interinamente o governo. "Isso traria uma insegurança tremenda. A opção até agora do Supremo foi pela segurança”, afirmou em almoço com empresários no hotel Copacabana Palace. O Rio vive uma inédita dupla vacância. Couto assumiu o cargo após a renúncia de Cláudio Castro (PL), em março. Na ocasião, estavam vagos tanto o cargo de vice-governador (Thiago Pampolha deixou o posto em 2025) quanto o do comando da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), que ocupam a linha sucessória. Sem eles, o quem assume é o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, função à época exercida por Couto. O governador em exercício reiterou, no entanto, que não é político e não tem ambições eleitorais. Ele afirmou ter participado do evento para fazer uma reflexão sobre o que está ocorrendo no Estado. “Não sou político. Todos sabem. Não tenho pretensão nenhuma de me lançar na política", declarou. O STF definirá se as eleições para o mandato-tampão ao governo do Rio serão feitas por pleito direto (voto popular) ou indireto (por voto dos deputados estaduais). O julgamento foi paralisado por um pedido de vista, mas a Corte definiu que Couto segue na função até o final da análise da ação. Ao comentar a controvérsia sobre a sucessão no Palácio Guanabara, Couto disse que, ao assumir interinamente o governo, acreditava que ficaria poucos dias no cargo. Diante da perspectiva de uma permanência mais longa, porém, afirmou ter adaptado sua atuação. "Hoje a previsão seria de [permanecer] 90 dias ou mais”, declarou. Ele também se classificou como um governador “com força institucional”: “Já recebi apelidos de governador biônico, governador passageiro. Eu me coloco como governador com força institucional. De forma passageira, sim, mas buscando entregar a gestão dento do adequado." Em tom descontraído, o desembargador comparou sua situação à do Botafogo, time do qual é torcedor. "Muitas vezes perguntam o que eu sou. Eu digo: botafoguense. Agora sei por que sou botafoguense. Existem coisas que só acontecem com o Rio e com o Botafogo. Nunca imaginei que poderia estar vivendo essa situação." Durante sua participação no evento, Couto também fez críticas indiretas ao modelo de funcionamento da máquina pública e à influência política sobre a ocupação de cargos. Em uma crítica indireta a Castro, citou a influência de deputados sobre as secretarias estaduais. "Conversando com alguns deputados, recebi a seguinte informação 'a secretaria tal é minha'. Essa modalidade de gestão está certa? Quem é o gestor? É o chefe do Executivo ou é o Legislativo?", questionou. Para o desembargador, trata-se de um problema que ultrapassa as fronteiras fluminenses. "Hoje nós temos um sistema preocupante não apenas no âmbito dos Estados, mas dos municípios e também da União. Temos que refletir até onde há captura do chefe do Executivo pelo Parlamento." Meta de superávit O desembargador, que tem promovido uma série de mudanças para enxugar a máquina pública, anunciou a meta de deixar o governo com um superávit de R$ 5 bilhões. O Estado do Rio tem hoje um déficit projetado de R$ 19 bilhões para 2026. "Eu não sei se nós vamos conseguir. Estabeleci uma meta ousada para pelo menos chegar a 1 R$ bilhão”, acrescentou o governador. Também no evento, o secretário estadual de Fazenda, Guilherme Mercês, reconheceu que a meta é ousada, mas ressaltou que o Executivo implementou uma série de ações para reverter o resultado negativo. "A meta, sem dúvida nenhuma, é ousada. Mas a gente está trabalhando em um amplo conjunto de frentes. São mais de 30 ações que mapeamos para reverter o déficit de R$ 19 bilhões previsto na lei orçamentária de 2026 para um resultado positivo no final do ano", disse a jornalistas.