O Japão está explorando a possibilidade de operações de desminagem e escolta das Forças de Autodefesa (SDF) no Estreito de Ormuz, após o anúncio de um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã, mas o governo enfrenta o desafio de obter apoio interno para tal missão. A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, disse a jornalistas em Roma, na segunda-feira, que acolheu o acordo de paz como "um passo significativo para a resolução da situação". Ela afirmou ser "importante que o acordo seja devidamente assinado e que seu conteúdo seja executado sem falhas". Caso os combates cessem, o foco deverá se voltar para uma missão militar multilateral com o objetivo de abrir o Estreito de Ormuz. O Japão, que já declarou haver restrições constitucionais sobre as ações que pode tomar, provavelmente enfrentará pressão para responder. O secretário-chefe do Gabinete, Minoru Kihara, afirmou em uma entrevista coletiva na segunda-feira que "nada foi decidido" sobre o envio das SDF ao Estreito de Ormuz. Em relação às contribuições para assistência humanitária e reconstrução de infraestrutura, ele afirmou que o Japão "tomará as decisões apropriadas, avaliando a situação e as necessidades futuras". Com base no Artigo 9 de sua Constituição, o Japão mantém a posição de que o envio de tropas para o exterior geralmente não é permitido. A posição do país é de que as operações das SDF no Golfo Pérsico não são realistas se a região estiver sob ameaça de se tornar novamente uma zona de combate. Em março, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu aos aliados, incluindo o Japão, que enviassem navios para o Estreito de Ormuz. Em uma cúpula Japão-Estados Unidos no mesmo mês, Takaichi afirmou que o Japão responderia dentro dos limites da lei japonesa. Após isso, enquanto monitorava de perto os movimentos de países europeus como o Reino Unido e a França, o governo japonês explorou discretamente cenários que incluíam o envio de tropas das SDF. Em abril, membros da cúpula do Partido Liberal Democrático (PLD), partido governista, sugeriram que, após o fim dos combates entre os Estados Unidos e o Irã, o Japão deveria considerar o envio de navios caça-minas e outras embarcações para remover quaisquer obstáculos à navegação no Estreito de Ormuz. Mais tarde naquele mês, Takaichi disse a pessoas próximas que o Japão teria várias opções após um acordo de cessar-fogo. A Força Marítima de Autodefesa do Japão (MSDF) é considerada especializada na remoção de minas, com 16 embarcações capazes de realizar tais operações. A MSDF pode lidar com os dois principais métodos de remoção de minas no mar: a busca por minas cujas localizações são conhecidas e a varredura em busca de dispositivos explosivos em uma ampla área. A MSDF também possui dois navios de apoio a caça-minas para reabastecer alimentos e combustível durante longos períodos de deslocamento para regiões distantes. Após o acordo entre os Estados Unidos e o Irã, um alto funcionário do governo japonês disse: "Depende da quantidade de minas existentes, mas precisaremos fazer um planejamento prévio antes que o acordo seja finalizado em 19 de junho". O Reino Unido e a França coorganizaram uma reunião de ministros da defesa de cerca de 40 países em maio na qual os participantes concordaram em apoiar a navegação de embarcações civis e a remoção de minas no Estreito de Ormuz. A missão "só terá início em um ambiente permissivo e em plena conformidade com o direito internacional e as constituições nacionais", afirmou um comunicado conjunto. "A missão será distinta de qualquer outra campanha militar e manterá canais claros de comunicação e de resolução de conflitos com todos os Estados e parceiros relevantes", acrescentou o comunicado. O Ministro da Defesa japonês, Shinjiro Koizumi, declarou na reunião que o apoio a uma missão militar exigiria três condições: um cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã, comunicação com o Irã e uma redução da ameaça no terreno. A remoção de minas durante um período de conflito pode constituir uso da força. O governo japonês sustenta que a remoção de minas pelas MSDF é legalmente possível, desde que não haja combates na área em questão. As forças armadas japonesas participaram de operações de remoção de minas no Golfo Pérsico em 1991, após o cessar-fogo da Guerra do Golfo. Quanto aos navios de escolta, quando o ex-primeiro-ministro Shinzo Abe decidiu enviá-los para o Oriente Médio em 2019, durante o conflito entre os Estados Unidos e o Irã, o objetivo declarado era a coleta de informações, permitida pela legislação japonesa. As SDF não participavam da coalizão liderada pelos Estados Unidos naquela época. Uma pesquisa de opinião pública do “Nikkei Asia”, realizada em abril, mostrou opiniões divididas sobre o envio das SDF. Cerca de 36% dos entrevistados disseram que as SDF deveriam ser enviadas após o fim dos combates no Irã, com o apoio subindo para 48% quando somado aos que disseram que as forças armadas deveriam ser enviadas antes do fim dos combates. Mas 45% disseram que elas não deveriam ser enviadas de forma alguma.
Japão estuda operações de desminagem e escolta no Estreito de Ormuz
Japão estuda operações de desminagem e escolta no Estreito de Ormuz












