Quando criança, Gustavo Pimenta sonhava em ser jogador de futebol. Jogou futsal entre os 9 e os 15 anos pelo Olympico Club, um dos mais tradicionais de Minas Gerais. Mas, se a carreira de atleta não foi à frente, hoje, aos 47 anos, o CEO da Vale entra em outro tipo de campo ao liderar uma equipe de 60 mil funcionários, número que sobe para 170 mil, se somados os empregos indiretos. Adepto do conceito japonês de “genba” — liderança no campo —, Pimenta passa boa parte do tempo em minas, operações e encontros com equipes da mineradora. Seu estilo foge da imagem tradicional do executivo distante, protegido pela rigidez hierárquica. Ele conta que se senta “no meio do andar”, sem salas isoladas, e que cobra presença constante dos líderes nas operações. Para ele, cultura só se transforma quando quem está na liderança dá o exemplo. “Não adianta dizer que algo é importante e praticar outro comportamento.” Hoje, o mineiro de Divinópolis, graduado em economia pela Universidade Federal de Minas Gerais, joga para reposicionar a Vale no protagonismo mundial da mineração. Esse reposicionamento vai além da busca por resultados financeiros. Para o executivo, investir na transformação cultural é essencial. “Segurança como valor inegociável”, “escuta aberta” e “liderança humilde, mas assertiva” são conceitos que ele sempre repete. Pimenta chegou à Vale há quase cinco anos como vice-presidente, depois de ter atuado em setores distintos como os de energia (AES Corporation), financeiro (Citigroup) e consultoria (KPMG). Viveu mais de uma década fora do Brasil — morou no Panamá, em Londres e em Nova York —, o que lhe proporcionou uma visão “sistêmica e estratégica”, moldada por negócios globais e diferentes culturas. Assumiu o comando da Vale há cerca de um ano e meio. “Conhecer a realidade me permitiu acelerar decisões e definir prioridades logo no início da gestão. A principal delas foi resolver pendências que ainda pesavam sobre a empresa”, afirma. Sob sua liderança, a mineradora concluiu o acordo de reparação decorrente do desastre socioambiental causado pelo rompimento da barragem da operação de Mariana (MG) e eliminou todas as barragens em nível 3 de emergência — movimentos que considera “fundamentais para permitir que a companhia voltasse a olhar para o futuro”. “Eu estou muito confiante, seguro do modelo de gestão, sabemos no que somos bons e no que não somos bons. Vamos avançar na evolução cultural da companhia, que será meu principal legado, devolver à mineradora o protagonismo global”, afirma Pimenta. “A Vale tem o direito de sonhar em ser uma das maiores empresas do mundo, e trabalho arduamente com o meu time nesse sentido. Quero liderar uma companhia que consegue ter essa ambição, essa mineração do futuro, mais responsável, com menor impacto ambiental, maior cuidado social”, explica. Até por conta de sua experiência no setor financeiro, Pimenta reconhece a pressão por resultados de curto prazo: “Companhia aberta tem a sua batalha trimestral por resultados. É natural. Mas em nenhuma circunstância, em nenhum cenário, sacrificamos o que é a construção de estratégia de uma companhia vencedora no longo prazo para ter um resultado de curto prazo”. Essa visão também reflete a aposta em inovação e inteligência artificial. O executivo quer acelerar a “mineração do futuro”: mais digital, automatizada, eficiente e com menor impacto ambiental. Cita como símbolo dessa transformação a mina de Brucutu (MG), uma das operações mais eficientes da Vale e totalmente autônoma. Empresas em que trabalhou: AES Corporation, Citigroup e KPMGIdade em que se tornou CEO: 46 anosMaior orgulho da carreira: ver liderados ocupando posições de destaquePessoa que o inspira: Ayrton SennaHobby: ler e praticar esportes