A Vale vê, no futuro de seus negócios, possibilidades de 100% de automação em minas; e de elevar a atual fatia, de cerca de 25%, destinada a investimentos em pesquisas de descarbonização — parcela dentro de um total de US$ 700 milhões, alocado em projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D). As informações partiram de Rafael Bittar, diretor de tecnologia da empresa. Além disso, continuou ele, a companhia enxerga, cada vez mais, uso de inteligência artificial (IA) em suas práticas. “IA é caminho sem volta [nos negócios da Vale]”, afirmou. Confira os resultados e indicadores da Vale e das demais companhias de capital aberto no portal Valor Empresas 360 O executivo deu as declarações durante o segundo dia do Web Summit Rio 2026, edição latino-americana da maior conferência global de tecnologia, inovação e empreendedorismo, que vai até 12 de junho. O executivo foi questionado sobre a possibilidade de, “em um futuro breve”, a empresa poder receber prêmio por minério, cuja elaboração seja feita de forma mais “verde”, com poucas emissões danosas ao meio ambiente. O “prêmio por minério” (ou quality premium) é um valor extra pago pelo comprador ao vendedor devido à alta qualidade, à pureza ou a características ambientais específicas do minério adquirido. Após palestrar no evento, o especialista explicou que não prevê prazos específicos para recebimento de prêmio por tal produto. E que, caso essa possibilidade se confirme, o minério poderia receber prêmio tanto por baixo nível de emissões por tonelada produzida, além de menor quantidade de elementos contaminantes ao meio ambiente, como sílica, alumina, magnésio. Para desenvolver produtos mais sustentáveis, o executivo explicou que a empresa já aloca investimentos relevantes em empreendimentos de descarbonização. Quando questionado sobre se não descarta aumento, em parcela de 25% no total de investimentos em P&D, destinada à descarbonização, nos próximos anos – tendo em vista o contexto atual de mercado, que demanda mais soluções afáveis a uma transição energética, menos agressiva ao meio ambiente –, Bittar foi taxativo. “Eu acredito que a gente deve aumentar ainda assim essa parcela”, disse. “A gente analisa sempre os projetos. E tem entrado mais projetos [verdes, na Vale]. E, na medida em que os projetos vão amadurecendo, também, na cadeia do P&D, eles vão ficando em níveis mais avançados e requerem um pouco mais de capital”, disse. “Então, devem naturalmente exigir um pouco mais de capital na frente”, disse. No evento, Bittar aproveitou a ocasião para comentar sobre como visualiza processo de avanços tecnológicos, dentro do “core business” da Vale, que é exploração mineral. Ao ser questionado sobre se visualiza uma mina “100% automatizada”, não descartou a possibilidade. Ele disse que já existem operações da empresa, com centros de controle que permitem a teleoperação de equipamentos a centenas de quilômetros de distância. Para ele, no futuro, a mineração terá o mínimo de pessoas localmente, com mais centros de controle e operação de equipamentos autônomos, como caminhões, perfuratrizes, escavadeiras, tratores de esteira. O uso de IA também já está sendo testado na logística da companhia, disse. Caminhões autônomos já representam parte da frota. Há plano para adicionar mais 150 equipamentos autônomos, na frota da Vale até o final do próximo ano, completou ele.
Vale vê futuro com minas 100% automatizadas e diz que IA é ‘caminho sem volta’ para os negócios
Para a empresa, no futuro, a mineração terá o mínimo de pessoas localmente, com mais centros de controle e operação de equipamentos autônomos, como caminhões, perfuratrizes, escavadeiras e tratores













