Aos 38 anos, poucos meses depois de assumir como CEO da Rede D’Or, Paulo Moll enfrentou o maior desafio de sua trajetória: a pandemia de covid-19. “Foi um momento de muita tensão, em que fizemos coisas de que nem imaginávamos ser capazes”, diz. Naquele momento, o grupo ativou rapidamente mais 1,5 mil leitos de terapia intensiva, construiu hospitais de campanha e enfrentou problemas graves de abastecimento. “Foi uma operação de guerra”, resume Moll. Economista pelo Ibmec, com formação executiva pela Harvard Business School, nos EUA, Moll não imaginava construir sua carreira no setor de saúde, mesmo sendo filho de médicos. Enquanto os irmãos mais velhos seguiram o caminho da medicina, ele queria mesmo era trabalhar no mercado financeiro. No início dos anos 2000, no entanto, acabou entrando na empresa fundada pelos pais, a Rede D’Or, nascida do grupo Labs, que eles haviam criado em 1977. A princípio seria uma experiência temporária. “Meu pai disse para eu ir aprender alguma coisa com o meu irmão, administrador, enquanto eu procurava emprego”, relembra. O que era algo aparentemente circunstancial acabou se transformando logo em uma trajetória executiva de sucesso. Na época, a companhia inaugurava o terceiro hospital, e Moll mergulhou na área financeira. Seu trabalho de conclusão no Ibmec foi sobre “valuation” de hospitais, justamente no momento em que o grupo começava a estruturar sua estratégia de crescimento via aquisições. Ele participou diretamente das negociações, da integração de operações e da expansão da empresa. “Conheço profundamente o negócio, os hospitais, a operação e o mercado de saúde”, afirma, apontando o que é seu principal diferencial. Ao longo da carreira, construiu uma reputação fortemente ligada à execução e à capacidade de adaptação. A pandemia acabou funcionando como um teste extremo de liderança para Moll. Aos 45 anos, ele define seu estilo de liderança como próximo da operação, mas baseado em autonomia e descentralização. Diz que sempre trabalha com “gente muito boa” ao seu lado e afirma buscar executivos com “senso de dono” da empresa, que tenham a mesma cultura, assim como capacidade de execução e disposição para aprender continuamente. “Eu gosto de conhecer os detalhes da operação, mas dou muito espaço para as pessoas atuarem”, afirma. Essa combinação de visão estratégica centralizada com autonomia operacional tornou-se uma das principais marcas da sua gestão. Enquanto as grandes decisões de investimento e expansão permanecem concentradas na alta liderança, as operações hospitalares têm forte descentralização. “Quem está vivendo o negócio no dia a dia é quem tem a melhor capacidade de decidir”, acredita. Outra marca de sua gestão é o foco em tecnologia e inovação. Entusiasta da inteligência artificial, Moll afirma que a transformação digital se tornou prioridade estratégica tanto na operação hospitalar quanto na SulAmérica. “Seu uso vem reduzindo burocracias e permitindo que médicos passem mais tempo dedicados aos pacientes.” Apesar de comandar uma das maiores empresas de saúde da América Latina, Moll rejeita a ideia de “solidão no poder”. Afirma que compartilha decisões estratégicas com o pai. “No meu caso eu sempre tive com quem dividir decisões difíceis.” Para os próximos anos, o executivo diz que o principal desafio será formar lideranças e atrair profissionais qualificados para sustentar o crescimento da companhia. Seu objetivo, afirma, é consolidar uma empresa cada vez mais forte sem perder o propósito original. “Gostaria de ser lembrado como alguém que construiu um time forte e ajudou a levar medicina de qualidade para cada vez mais brasileiros.” Empresas em que trabalhou: depois de um estágio nos EUA, sempre na Rede D’OrIdade em que se tornou CEO: 38 anos Maior orgulho da carreira: a atuação da empresa durante a pandemia na saúde suplementar e no apoio ao poder público Pessoas que o inspiram: o pai e a mãeHobby: jogar tênis
Executivo de Valor - Paulo Moll, da Rede D’Or: Autonomia e renovação em foco
Economista pelo Ibmec, com formação executiva pela Harvard Business School, nos EUA, CEO participou diretamente das negociações, da integração de operações e da expansão da empresa






