O deputado federal Leo Prates (Republicanos-BA), relator do projeto de lei que regulamenta o fim da escala 6x1, deve fazer ajustes na proposta para evitar um impacto na remuneração dos trabalhadores e nos custos das empresas com a ampliação de uma para duas folgas semanais remuneradas.

A Folha mostrou que a mudança na carga horária pode aumentar o salário dos professores contratados como horistas e dos portuários e também elevar o valor de cada hora extra em 30% para os trabalhadores em geral. Isso porque o encurtamento da jornada, com a fixação de dois dias de folga remunerados por semana, eleva o valor do Descanso Semanal Remunerado, que incide sobre esses pagamentos.

A ideia de Prates, segundo relatos feitos a dois interlocutores ouvidos pela reportagem, é fazer uma redação que fique no "zero a zero", sem eventuais reduções na remuneração dos trabalhadores, mas também sem implicar em custos a mais para os empregadores.

O relator também afirmou a um interlocutor que retirará do parecer eventuais reflexos na reforma trabalhista. Não ficou claro para esse interlocutor qual seria a alteração feita no projeto, mas um dos pontos mais criticados pelos empresários na PEC (proposta de emenda à Constituição) que acabava com a escala 6x1, aprovada pela Câmara dos Deputados em maio, foram restrições aos acordos individuais entre empregados e patrões, como para definir regras de teletrabalho e banco de horas.