Trabalhar em conjunto, aproveitando a expertise e os pontos de vista de cada profissional, é a base que dá segurança às suas tomadas de decisões. Uma parceria que não vale apenas para membros da diretoria: chega a gerentes, vendedores e clientes e deixa claro qual é a essência do estilo de liderança de Daniela Manique, presidente para a América Latina da gigante do setor químico Solvay, desde 2018. “Não existe mais aquele CEO que tem todas as respostas”, resume a executiva, que gosta de acompanhar vendedores em visitas a clientes, ouvir o que têm a dizer, e se preocupa quando a pesquisa interna, feita com os 2.100 funcionários, indica queda, ainda que pequena, na liberdade de opinar. As contribuições são tão bem-vindas que a empresa premia quem aponta problemas. “Ouvir pareceres diversos cria mais ângulos de análise, torna a tomada de decisão mais confortável e justifica o porquê de estarmos seguindo naquele rumo”, diz a executiva. Manique já realizou alguns sonhos como executiva — carreira que começou na Shell Química e passou pela Ultragaz até chegar à Solvay. O de ser expatriada virou realidade quando trabalhou em Lyon, na França, por um ano e meio, para a Rhodia, empresa do grupo Solvay. Algo inimaginável para a jovem que entrou no curso de engenharia química desejando trabalhar na produção, no chão de fábrica mesmo. “Imaginava uma trajetória de sucesso, mas nunca sonhei que teria a honra de ocupar um cargo como o que tenho hoje”, diz. Agora, 30 anos depois de formada e já com muita experiência corporativa acumulada, vai realizar outro sonho: verá, em sua gestão, a fábrica de Paulínia (SP) se tornar totalmente carbono neutro. “Acho que a entregamos em 2030. Vai ser a primeira do grupo Solvay no mundo neutra em carbono”, destaca Manique. A executiva defende uma produção química sustentável, que utiliza matéria-prima de fonte renovável, energia limpa, que prefere o reúso ao consumo externo de água, tudo isso em uma fábrica sem acidentes — esse último ponto ainda não foi atingindo, mas, segundo ela, está próximo. A crença em sustentabilidade, acredita, tem efeito motivador entre os novos talentos da empresa, que percebem o cuidado com que o meio ambiente e a biodiversidade são tratados. “É óbvio que temos de entregar resultado, mas estamos entregando de forma consciente.” Com estilo descentralizado de gestão, Manique delega bastante. Diz que CEO não é onipresente e que, em muitos momentos, a equipe tem capacidade de análise muito melhor do que a dela, seja na avaliação do mercado, dos contratos, dos clientes ou da situação da fábrica. “Acho que funciono como ponto de apoio em caso de dúvidas ou de um assunto transversal, que impacta várias áreas”, diz. Toda semana a executiva fala com as diversas áreas da companhia, atualizando sua “visão do helicóptero” — jargão corporativo para descrever a observação panorâmica que os líderes têm do todo. Dessa sua aeronave metafórica ela também tem visto as dificuldades enfrentadas pelo setor químico, especialmente por conta da concorrência chinesa. E, como dirigente da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), busca desenvolver, com o poder público, uma agenda de longo prazo para o segmento. Apesar dos obstáculos, a Solvay investiu, nos últimos cinco anos, R$ 500 milhões no país. Em casa, Manique transferiu a paixão pela cozinha à filha de 15 anos, que faz ciências culinárias na escola e costuma curtir com a mãe a preparação de pratos a serem degustados em família. Empresas em que trabalhou: Shell Química e UltragazIdade em que se tornou CEO: 44 anosMaior orgulho da carreira: a convicção absoluta de estar construindo, no Brasil, a primeira indústria química carbono neutro do mundoPessoa que a inspira: Marie CurieHobby: cozinhar