Com mais de sete mil funcionários sob sua liderança na divisão Agro da Bayer para toda a América Latina, Maurício Souza Rodrigues, CEO da companhia, desenvolveu a habilidade de empoderar times, pessoas e, assim, ser ligeiro ao tomar decisões de impacto. O executivo gosta de ouvir a opinião de seus pares sobre os mais variados assuntos, especialmente daqueles profissionais que tenham dados com bases sólidas e argumentos precisos que contribuam para solucionar questões que surgem no dia a dia dos negócios da Bayer. Não saber ouvir o que os outros têm a dizer, para Rodrigues, é uma falta grave. Decisões e caminhos que contrariem valores da Bayer — como segurança de pessoas e de produtos e sustentabilidade, entre outros, classificados como inegociáveis — também são capazes de abalar sua conhecida tranquilidade. “Tenho dificuldade com pessoas egocêntricas, que gostam tanto da própria voz a ponto de não querer ouvir a dos outros”, diz esse maratonista e engenheiro formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). “E gosto de tratar adultos como adultos. Sim, faço reuniões de acompanhamento, mas menos do que fazia antes, já que ser adulto implica responsabilidade pelos resultados.” Na hora de decidir, o executivo confessa que opta pela alternativa que a maioria definiu como mais viável. Isso, no entanto, não o exime de tomar decisões. “Se houver urgência ou se a questão não se resolver organicamente, claro que estou disposto a dar a palavra final”, revela. Parte de um ainda restrito grupo de CEOs afrodescendentes em companhias de porte no país, Rodrigues afirma que, desde criança, se acostumou a frequentar ambientes nos quais era sempre “o único negro”. Filho de engenheiro e de advogada, ambos gaúchos formados pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o executivo nasceu em São Paulo, frequentou o tradicional Colégio Bandeirantes e, no vestibular, passou com louvor na engenharia civil da Escola Politécnica da USP. “Posso dizer seguramente que sofri preconceito em todos os lugares por onde passei”, afirma. “Essa situação me fez criar uma espécie de ‘casca’, pois sempre precisei dar muito mais para merecer qualquer coisa, aos olhos dos demais.” Rodrigues iniciou sua carreira, em 1997, no antigo BBA (hoje Itaú BBA), onde atuou por dois anos, como trainee e profissional na gestora de recursos. Em 1999, se transferiu para a antiga companhia de biotecnologia Monsanto, que, em 2018, foi incorporada pela Divisão Agro da Bayer. “Fui tesoureiro por muito tempo e CFO em várias geografias [depois de entrar na Monsanto]”, lembra. “Assumir a função [de CEO] foi um grande orgulho para mim, e não foi uma coisa óbvia, já que minha carreira era essencialmente em finanças, e [a ascensão] não era o mais comum para um líder de divisão cinco anos antes [na Bayer]”, explica. Ao promover e atrair talentos para sua companhia, Rodrigues valoriza a curiosidade, pessoas que demonstrem alta capacidade de influência, escuta e paixão pelo aprendizado. Isso é mais importante, avalia, do que puro conhecimento técnico. Saem na frente as pessoas que saibam trabalhar em equipe, sejam líderes natos e consigam mobilizar os demais. O executivo se orgulha de ter implantado na companhia, em toda a América Latina, um modelo operacional global para diminuir hierarquias, simplificar estruturas e catalisar as decisões, o DSO (Dynamic Shared Ownership ou Propriedade Dinâmica Compartilhada). “Além da transformação de toda a companhia e a implementação do DSO, o tripé que é pauta em praticamente todas as discussões da companhia são: inovação, sustentabilidade e transformação digital.” A América Latina é hoje a segunda região mais importante para a divisão agrícola da Bayer no mundo, com um faturamento de mais de 6 bilhões de euros e crescimento anual da ordem de 4,5%. E a vantagem competitiva do Brasil no agronegócio o torna o segundo mercado da Bayer em todo o planeta. Empresas em que trabalhou: Banco BBA e MonsantoIdade em que se tornou CEO: 46 anosMaior orgulho da carreira: implantação do modelo DSO (Propriedade Dinâmica Compartilhada), que acelera a tomada de decisões e diminui hierarquias e barreirasPessoa que o inspira: Barack ObamaHobby: correr e viajar
Executivo de Valor - Maurício Rodrigues, da Bayer: sensibilidade que promove diversidade
Presidente da Divisão Agro Bayer para a América Latina diz que valoriza a curiosidade, pessoas que demonstrem alta capacidade de influência, escuta e paixão pelo aprendizado






