Miguel Nunes Setas se vê como um “maestro do tempo”, por estar sempre em busca do equilíbrio entre a agilidade do mercado e a maturidade emocional necessária para tomar decisões. CEO da Motiva, a nova identidade corporativa da Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR), ele usa a técnica que chama de “regra do dois”: dedicar dois milissegundos para sentir antes de pensar (intuição); dois segundos para pensar antes de falar (ponderação); dois minutos para falar o essencial; duas horas para se preparar para os temas importantes; e duas noites de reflexão para dilemas complexos. O método não poderia ser mais adequado para enfrentar o desafio que assumiu quando chegou à Motiva, em 2023 — liderar a renovação institucional da maior empresa de infraestrutura de mobilidade do Brasil —, expresso no plano Ambição 2035. Um dos eixos dessa estratégia é o foco seletivo em negócios que apresentam mais vantagens competitivas, o que levou o grupo a vender seus ativos de aeroportos e barcas para priorizar rodovias e transporte metroferroviário de passageiros, que juntos representam oportunidades estimadas em R$ 160 bilhões. Com formação em engenharia física e de computação elétrica, o executivo português acumula experiências de gestão na McKinsey e na EDP Brasil, da qual foi presidente-executivo e do conselho de administração. Seu estilo de liderança é voltado ao incentivo do trabalho colaborativo e criativo. “Acredito na potência do ser humano”, resume. “Busco fazer crescerem as pessoas que estão junto de mim e me apoio nelas para tomar decisões.” Setas vive em São Paulo, de onde comanda uma organização com mais de 16 mil empregados, com 39 ativos de infraestrutura em 13 Estados. Casado com uma baiana, ele costuma passar períodos de descanso em Salvador, onde aproveita para ir à praia e saborear pratos da culinária local. O executivo valoriza o planejamento, que, no setor de infraestrutura, deve ter um horizonte de até 30 anos, o tempo típico de duração das concessões de transporte rodoviário e metroviário. “Só conseguimos fazer isso com a análise e a precificação de todos os riscos: político, institucional, regulatório, de demanda, financeiro, operacional e climático”, assinala. É com essa visão que coordena um plano de investimentos de R$ 1 bilhão ao longo da próxima década para construção de uma “infraestrutura inteligente”, organizada em seis vertentes: inteligência artificial (IA); big data e analytics; internet das coisas (IoT) e sensorização; robotização e automação; novos materiais; e transição energética. Atualmente, há mais de 130 projetos de inovação tecnológica em andamento na Motiva. “Temos iluminação LED inteligente na [rodovia Presidente] Dutra, robôs testando limpeza de estações e corte de grama, além de drones supervisionando a infraestrutura elétrica nos metrôs”, exemplifica. “Somos a única empresa [do setor] no Brasil com laboratório de materiais, onde pesquisamos asfaltos reciclados e com borracha.” O plano também contempla projetos para a promoção de cidades mais sustentáveis, resilientes e inclusivas, tema que o executivo acompanha de perto. Ele exerce papel institucional como porta-voz do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU) para Cidades e Comunidades Sustentáveis. No dia a dia, a IA generativa é sua aliada para testar ideias, organizar a comunicação e realizar benchmarkings globais. O executivo abraça essa tecnologia com entusiasmo e cautela: “Existem riscos éticos e devemos ter cuidado com a má utilização”, pondera. “Do lado corporativo, é preciso ter governança, compliance e controle para garantir que as ferramentas sejam utilizadas de forma adequada”, afirma. Empresas em que trabalhou: McKinsey e EDP Brasil Idade em que se tornou CEO: 43 anosMaior orgulho da carreira: fazer florescer e crescer outros executivos e pessoas à sua voltaPessoa que o inspira: Luiza Helena TrajanoHobby: leitura
Executivo de Valor - Miguel Setas, da Motiva: O papel de ‘maestro do tempo’
CEO valoriza o planejamento, que, no setor de infraestrutura, deve ter um horizonte de até 30 anos, o tempo típico de duração das concessões de transporte rodoviário e metroviário






