A gestão de benefícios corporativos esteve por anos concentrada em processos operacionais, negociações anuais e acompanhamento de contratos. Esse modelo começa a mudar. Diante do aumento dos custos com assistência médica e da pressão por eficiência financeira, empresas passaram a usar análise de dados para tomar decisões sobre os pacotes oferecidos aos funcionários.

A mudança faz parte de uma transformação mais ampla no papel do RH dentro das organizações. Indicadores como sinistralidade, perfil demográfico, utilização dos benefícios, afastamentos e custos per capita passaram a integrar as discussões que envolvem não apenas a área de pessoas, mas também lideranças financeiras e executivas.

Custos crescem e pressionam empresas de todos os portes

Os números ajudam a explicar o movimento. Segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), os planos de saúde coletivos empresariais seguem entre os principais itens de custo na gestão de pessoas. Ao mesmo tempo, a inflação médica continua registrando índices superiores à inflação geral da economia, pressionando as empresas na renovação de contratos.

Gustavo Chehara, CEO da Joyn Benefícios, avalia que o mercado vive uma mudança de mentalidade. Para ele, o aumento dos custos nem sempre está relacionado à necessidade de cortar benefícios, mas à forma como eles são administrados. “Durante muito tempo, a gestão de benefícios foi conduzida com base em percepção. As empresas avaliavam custos apenas no momento da renovação dos contratos. Hoje existe uma preocupação maior em acompanhar indicadores ao longo de todo o ano para entender o que está gerando impacto financeiro e onde existem oportunidades de melhoria”, afirma.