Seu nome tem saído nos jornais, e sua cara já apareceu na TV. Com 30 anos, Michaël Trazzi lidera um movimento chamado Stop the AI Race, cobrando que as big techs deem uma pausa no desenvolvimento da inteligência artificial diante dos riscos que essa tecnologia representaria para a humanidade.
Disso, quem já leu menções a ele na imprensa americana sabe bem. O que ninguém descobriu ainda é o seguinte: o ativista é neto do ex-deputado Rubens Paiva, assassinado pela ditadura militar, e sua esposa, Eunice Paiva, que lutou a vida inteira para que o governo brasileiro reconhecesse o crime e inspirou o filme "Ainda Estou Aqui".
Trazzi começou a aparecer nos jornais em setembro do ano passado, quando foi um dos ativistas a aderir a uma greve de fome contra as empresas de IA. Enquanto um manifestante estava na sede da Anthropic em San Francisco, ele e um colega ficaram em frente à matriz do Google Deepmind, em Londres.
O neto dos Paiva jejuou por sete dias e parou por recomendação médica; seu amigo continuou por 18.
"Foi mais fácil do que eu imaginava. O corpo se adapta muito rápido. Difícil é falar com a imprensa, os funcionários das empresas, os empresários…", diz ele, que perdeu cinco quilos no processo.Trazzi acredita que a repercussão do protesto com os colegas e uma carta sua são o motivo pelos quais, em janeiro deste ano, ao ser questionado por um jornalista, o CEO do Deepmind, Demis Hassabis, disse que toparia uma pausa na corrida da IA —desde que as empresas adversárias fizessem o mesmo.










