O senador americano Bernie Sanders divulgou, dias atrás, uma carta destinada a três notáveis: Sam Altman, CEO da OpenAI, Mark Zuckerberg, criador do Facebook e CEO do grupo Meta, e Dario Amodei, cofundador da Anthropic. Propôs, "em nome do interesse da humanidade", que eles pausem o desenvolvimento da inteligência artificial. Em dado momento, subiu o tom. "Deixem-me ser claro. Se vocês não adotarem as ações corretas, meus colegas e eu no Senado faremos isso."
Sanders está prestes a completar 85 anos. Progressista e independente, segue na defesa de minorias e da democracia americana. Daí passar um pito público nos titãs da tecnologia pode parecer algo quixotesco ou destempero da idade. Mas, calma. Pensei bastante sobre isso, até concluir: Sanders tem motivos para sustentar cada palavra da sua carta.
Em que pesem os valores estratosféricos da corrida científica, territorial e geopolítica em torno da IA, sobram razões para indagar aonde isso tudo vai nos levar. Afinal, a ideia de um progresso sem limites, que hoje alimenta nossas expectativas e crenças, torna-se eticamente inaceitável se colocar em risco o ser humano.
No mês passado, um grupo de 200 cientistas de alto calibre, incluindo 17 prêmios Nobel, divulgou o manifesto "Precisamos Agir Agora". A iniciativa foi de Erik Brynjolfsson, professor da Universidade Stanford, partindo da seguinte premissa: o impacto da IA no mundo será maior e mais rápido do que o da Revolução Industrial. Daí a urgência de uma transição econômica que assimile os novos benefícios, ao mesmo tempo livrando-se de riscos.










