Os profissionais da geração Z estão sendo demitidos por causa da IA?Avanço da automação preocupa jovens profissionais no Brasil. Gerando resumoQuando decidiu intensificar os protestos contra o avanço da inteligência artificial, no ano passado, o franco-brasileiro Michaël Trazzi mal conseguia reunir algumas dezenas de manifestantes em São Francisco, nos Estados Unidos. Na época, ele chegou a fazer uma greve de fome ao lado de outros dois ativistas em frente aos escritórios da Anthropic e do Google DeepMind. Menos de um ano depois, um ato realizado no último sábado, 11, já contou com mais de 300 pessoas.PUBLICIDADE“Acho que isso é o começo de um movimento maior. Espero que outros países também comecem a fazer manifestações”, afirma o ativista em entrevista ao Estadão.Trazzi, de 30 anos, revela que se preocupa com os rumos da ferramenta há cerca de uma década. Em 2024, enquanto gravava um documentário sobre a regulação da tecnologia, acompanhou a repercussão internacional do filme Ainda Estou Aqui, que retrata a história da sua família.Publicidade“Eu nunca tinha visto o meu avô. Vendo esse filme, a determinação da minha avó e do meu avô, acho que isso me inspirou a tomar riscos”, conta Trazzi, que nasceu e cresceu na França. Somente na vida adulta, com o filme, rememorou a história dos avós, Eunice e Rubens Paiva. Sua mãe é uma das filhas do casal. A história familiar não foi o pontapé da saga contra o superdesenvolvimento da IA, mas trouxe disposição para continuar. “O custo da vida para o meu avô foi morrer. O custo para a minha avó foi dedicar a vida dela àquela luta. Então, mesmo que seja difícil fazer esse tipo de protesto, é um risco mínimo”, diz. Diferentes grupos integram o movimentoHoje, o movimento reúne organizações com diversas pautas sobre os riscos da IA. No protesto deste mês, participaram grupos que contestam a vigilância da inteligência artificial, o impacto ambiental dos data centers, os riscos da tecnologia para a humanidade no longo prazo e a substituição de trabalhadores por sistemas automatizados.Publicidade“Não precisa que todo mundo tenha a mesma razão para protestar. Todos podem se unir para pedir que essa corrida desacelere”, diz Trazzi. Protesto liderado por Trazzi reuniu manifestantes que caminharam da sede da OpenAI até a sede do Google em São Francisco Foto: Rachel BujalskiAtualmente, a principal reivindicação é que os executivos das empresas de IA assumam compromissos para limitar o desenvolvimento de ponta dos sistemas e apoiem um tratado internacional de regulação. “Nós queremos compromissos de verdade, não apenas declarações na internet”, afirma. O impacto da IA no trabalhoNos EUA, onde acontecem a maioria dos protestos realizados por Trazzi, o mercado para recém-formados está mais deteriorado. “Essas empresas têm como objetivo automatizar o trabalho humano. É assim que elas ganham dinheiro”, afirma.PublicidadeUma das áreas mais impactadas é a de engenharia de software. “Hoje, até quem sai de Stanford ou Berkeley, que são faculdades renomadas, encontra dificuldade para conseguir emprego.”Leia tambémO que está por trás da revolta da geração Z contra a inteligência artificial no trabalhoEconomistas e líderes do setor de tecnologia publicam carta para alertar sobre ameaças da IAThe Economist: A tentativa dos EUA de controlar quem pode acessar a IA mais avançadaConvencido de que a IA está avançando mais rapidamente do que a capacidade dos governos de criar regras, Trazzi pretende aumentar a pressão contra as empresas de tecnologia. A partir deste mês, o movimento liderado por ele, o “Stop the AI Race” (“Pare a corrida de IA”), planeja manter manifestantes diariamente em frente às sedes das principais empresas de IA. “Se a gente não agir hoje, daqui a três meses essas companhias terão ainda mais dinheiro e poder”, diz. “Queremos que os CEOs escrevam para o governo americano para regular a IA e se comprometam em fazer um tratado.”Publicidade