O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que acordo com Irã será assinado na sexta-feira — Foto: Kent Nishimura/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 15/06/2026 - 10:25 Acordo EUA-Irã impacta preço do petróleo e afeta economia global A expectativa de um acordo entre EUA e Irã já impacta o preço do petróleo, que caiu 5%, refletindo otimismo com a possível normalização das relações. O acordo, porém, é apenas um compromisso para prolongar negociações por 60 dias, sem solução imediata para o urânio iraniano. Israel continua atacando o Líbano, complicando o cenário. O desbloqueio de US$ 20 bilhões iranianos nos Emirados é um ponto crucial do acordo, que também visa restabelecer o tráfego no Estreito de Ormuz. A economia global, incluindo a do Brasil, sente os efeitos, com expectativa de queda na Selic pelo Banco Central do Brasil. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A expectativa global de que se caminha, de fato, para o fim do conflito entre Estados Unidos e Irã já aparece refletida na cotação do petróleo na manhã desta segunda-feira, com queda de 5% no valor do barril, que está sendo negociado um pouco abaixo de US$ 83. Esse é um resultado positivo da perspectiva de assinatura de um acordo na próxima sexta-feira. Mas ainda é cedo para comemorar. Primeiro porque não se pode chamá-lo de um acordo de paz, mas de um compromisso de manter as negociações por mais 60 dias com esse objetivo ao fim das conversas. Ainda não há solução para a questão do urânio do Irã. Há também outro fator de insegurança: Israel não parece ter interesse no acordo e continua atacando o Líbano. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, parece estar com dificuldade para conter seu aliado, que, diga-se de passagem, o levou à guerra. Há um ponto do acordo que não está sendo muito comentado. Ontem, Lourival Sant'Anna, em reportagem no Estadão, informou que houve concordância dos Estados Unidos e dos Emirados Árabes Unidos para desbloquear US$ 20 bilhões do Irã que estão depositados em bancos dos Emirados. Ao todo, o Irã tem cerca de US$ 100 bilhões congelados na região. Esse é um ponto importante. Outro aspecto é o restabelecimento do tráfego no Estreito de Ormuz, com a retirada das minas e o fim do bloqueio dos Estados Unidos aos portos iranianos. Se confirmado, será uma excelente notícia, porque restabelece o fluxo natural de mercadorias, principalmente de combustíveis. O restabelecimento do tráfego por Ormuz pode levar o preço do petróleo a cair de forma sustentável, afinal 25% da produção global é comercializada por essa rota. O Irã se comprometeu a dissolver parte de seu estoque de urânio enriquecido. O país possui nove toneladas de urânio enriquecido, sendo cerca de 440 quilos de urânio enriquecido a 60%, nível que pode ser utilizado para a produção de armas nucleares. Esse material seria dissolvido em local determinado pela Agência Internacional de Energia Atômica e sob a fiscalização da agência. Essa guerra já dura mais de cem dias e custou, segundo declaração oficial do Pentágono, US$ 29 bilhões, especialistas estimam que o gasto tenha sido ainda maior. O acordo ainda parece frágil, mas, se tudo caminhar nessa direção, como é o desejo de todos, a normalização ainda levará tempo. A economia brasileira foi muito atingida por essa guerra. Com a redução do preço do petróleo, é possível que a pressão inflacionária diminua, mas não de forma imediata. Os fretes encareceram, há dificuldades no acesso a fertilizantes, que também tiveram aumento de preços. Os efeitos da guerra já estão refletidos tanto na economia global quanto na brasileira. Nesta semana, o Banco Central do Brasil deverá reduzir a taxa básica de juros. Analistas falam em uma queda de 0,25 ponto percentual, menos do que se esperava antes do início da guerra. Enfim, Donald Trump tomou uma decisão equivocada ao iniciar esse conflito com o Irã, e enfrenta custos políticos internos, com queda na popularidade em ano eleitoral nos Estados Unidos, enquanto a economia global também sofre os impactos da escalada das tensões.
Perspectiva de acordo entre EUA e Irã ainda é frágil, mas já reduz preço do petróleo e abre caminho para normalização gradual
Perspectiva de acordo entre EUA e Irã ainda é frágil, mas já reduz preço do petróleo e abre caminho para normalização gradual














