Apesar do otimismo, analistas de mercado mostram-se cautelosos quanto aos desdobramentos depois da renovação do cessar-fogo Petróleo despenca ao menor valor desde março com acordo entre EUA e Irã — Foto: stock.xchng O anúncio de um acordo preliminar entre os Estados Unidos e o Irã derreteu grande parte do prêmio de risco do barril de petróleo, que despencou nesta segunda-feira e aproximou-se da faixa de US$ 80, a qual não era vista desde o início de março tanto para o Brent quanto para o WTI. Apesar do otimismo, analistas de mercado mostram-se cautelosos quanto aos desdobramentos depois da renovação do cessar-fogo, visto que pontos-chave na negociação, como o programa nuclear iraniano, seguem sem uma conclusão. O petróleo Brent com entrega para agosto caiu 4,76%, cotado a US$ 83,17 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). O WTI com vencimento em julho despencou 4,87%, cotado a US$ 80,75 por barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex). Os termos exatos do acordo entre Estados Unidos e Irã ainda não foram divulgados, embora o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, tenha afirmado que o pacto exigia "o término imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, inclusive no Líbano". Além disso, o presidente americano, Donald Trump, autorizou a reabertura irrestrita do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio ao Irã, com vigência a partir da assinatura do acordo, já feita. Vale notar que o acordo será de mais um cessar-fogo de 60 dias, no qual outra tratativa mais abrangente será negociada, e Trump afirmou que os ataques poderiam ser retomados caso um acordo não seja atingido no período. A Reuters reportou que o destino do programa nuclear iraniano, outra questão crucial para Trump, será abordado nessas conversas posteriores. O foco do mercado neste momento será a retomada do trânsito pelo Estreito de Ormuz e qual será a velocidade com a qual a normalidade poderá ser retomada na passagem. A equipe de pesquisa do MUFG, porém, mostra um certo grau de ceticismo quanto ao retorno do tráfego e da normalização dos preços do petróleo. “Duvidamos que retorne aos níveis pré-conflito, abaixo de US$ 70 por barril, visto que levará tempo para que o fornecimento seja restabelecido, os estoques foram reduzidos e um prêmio de risco geopolítico maior ainda será necessário para refletir o risco contínuo de fracasso do acordo.” O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, veio a público hoje para afirmar que Israel fará o que for preciso para impedir que o Irã tenha armas nucleares, independentemente de um possível acordo diplomático. O analista-chefe de commodities do SEB Research, Bjarne Schieldrop, alerta ainda para a fragilidade do acordo. “Os EUA precisam demonstrar que estão dispostos a investir força suficiente para gerir e conter Israel contra o Hezbollah no Líbano. Vimos que Netanyahu não tem dado muita atenção às diretrizes e desejos de Trump. Isso pode ser um grande obstáculo.”